terça-feira, 8 de setembro de 2026

OS ENSINOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ À PROVA DAS ESCRITURAS — PARTE IV

OS ENSINOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ À PROVA DAS ESCRITURAS — PARTE IV

A volta de Cristo e o ensino de 1914 à prova das Escrituras

Cleriston Bezerra

As Testemunhas de Jeová ensinam que a presença invisível de Jesus Cristo começou em 1914. Mas as próprias Escrituras descrevem a volta de Cristo como um acontecimento invisível iniciado naquele ano? E a cronologia utilizada para chegar a 1914 é realmente estabelecida pela Bíblia?

Nesta Parte IV, examinaremos primeiro como as Escrituras descrevem a volta de Cristo e, somente depois, colocaremos o ensino de 1914 diante desse testemunho.

Este artigo faz parte da série “Os Ensinos das Testemunhas de Jeová à Prova das Escrituras”. O estudo foi dividido em partes, cada uma dedicada ao exame de um ensino específico à luz das Escrituras.

Introdução

A volta de Jesus Cristo ocupa lugar central na esperança cristã. Entretanto, quando um ensino afirma que essa volta já começou em determinado momento da história, torna-se necessário perguntar se tal afirmação encontra apoio nas próprias Escrituras.

Nesta parte da investigação examinaremos especificamente o ensino das Testemunhas de Jeová de que Jesus Cristo já voltou e está presente invisivelmente desde 1914.

Antes, porém, de examinarmos qualquer cronologia, precisamos estabelecer um princípio fundamental: Deus não erra.

“Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto Ele é.”
— Deuteronômio 32:4, NVI

As Escrituras também afirmam que Deus “não mente” (Tito 1:2) e que “é impossível que Deus minta” (Hebreus 6:18).

Homens, entretanto, podem errar ao interpretar as Escrituras. Podem compreender equivocadamente uma profecia, estabelecer relações entre textos que as próprias Escrituras não estabelecem ou construir cálculos que posteriormente precisem ser abandonados.

Reconhecer um erro de interpretação humana não significa que Deus tenha errado. A questão se torna especialmente importante quando determinada interpretação é relacionada à direção, ao esclarecimento ou à orientação procedente de Deus e, posteriormente, precisa ser corrigida ou substituída.

Se a revelação veio verdadeiramente de Deus, o erro não pode estar na revelação. Se houve erro, ele estava no homem que interpretou ou atribuiu a Deus aquilo que Deus não havia revelado.

Deus pode corrigir o homem que errou ao interpretar Sua Palavra. Mas Deus não precisa corrigir uma revelação que realmente procedeu dEle, porque Deus não revela o erro.

É sob esse princípio que examinaremos a doutrina da volta de Cristo e, posteriormente, as interpretações cronológicas relacionadas ao ano de 1914.

A ordem desta investigação

Ao longo desta investigação serão mencionadas diversas afirmações relacionadas à cronologia e à interpretação profética das Testemunhas de Jeová, como a ideia de que a presença de Cristo começou invisivelmente, que determinados cálculos proféticos conduzem ao ano de 1914 e que certos acontecimentos históricos confirmariam essa interpretação.

É importante deixar claro desde o início que, quando apresentarmos esses ensinos, não estaremos reconhecendo-os como verdades estabelecidas pelas Escrituras.

Eles serão apresentados como aquilo que são dentro desta investigação: ensinos e interpretações das Testemunhas de Jeová que serão colocados à prova diante das Escrituras.

Portanto, quando dissermos que as Testemunhas de Jeová ensinam que Cristo começou Sua presença invisível em 1914, isso não significa que estamos afirmando que Cristo realmente voltou naquele ano. Estamos apenas expondo fielmente o ensino que será examinado.

O mesmo princípio será aplicado às cronologias apresentadas adiante. Não afirmaremos como fato bíblico que os “sete tempos” de Daniel correspondem a 2.520 anos, que começaram em determinada data e terminaram em 1914. Diremos que essa é a interpretação apresentada pelas Testemunhas de Jeová e então perguntaremos se existe apoio nas próprias Escrituras para estabelecer cada uma dessas relações.

Uma interpretação religiosa não se torna ensino bíblico simplesmente porque utiliza textos da Bíblia para sustentá-la. É necessário demonstrar que a conclusão realmente procede do que as Escrituras ensinam em seu contexto.

Primeiro, examinaremos o que as inspiradas Escrituras afirmam. Depois, colocaremos diante desse testemunho o ensino das Testemunhas de Jeová.

Quando uma afirmação não encontrar apoio nas próprias Escrituras, não a apresentaremos como uma profecia ou revelação bíblica que falhou. Nós a trataremos como uma interpretação ou tentativa de cálculo feita por homens a partir das Escrituras.

Essa precisão também será mantida quando examinarmos alegações de esclarecimento ou direção divina. Não diremos que Deus revelou determinada data ou interpretação simplesmente porque ela foi ensinada por uma organização religiosa. Somente diremos que determinado entendimento foi atribuído à direção, revelação ou esclarecimento de Deus quando houver documentação da própria organização que faça essa atribuição.

As Escrituras são a autoridade. As interpretações humanas estão sob exame.

Não são as Escrituras que estão sendo colocadas à prova nesta investigação. São os ensinos das Testemunhas de Jeová que precisam demonstrar se possuem apoio nas Escrituras.

A pergunta central desta investigação

O ensino das Testemunhas de Jeová de que Jesus Cristo já voltou e está presente invisivelmente desde 1914 permanece de pé diante daquilo que as inspiradas Escrituras ensinam acerca de Sua volta?

Para responder a essa pergunta, não começaremos por 1914. Começaremos pelas Escrituras. Primeiro precisamos estabelecer como Jesus Cristo e os apóstolos descrevem Sua volta. Somente depois colocaremos diante desse testemunho a interpretação de que Sua presença começou invisivelmente em 1914.

Primeiro as Escrituras estabelecem a verdade; depois, o ensino religioso é examinado à luz dessa verdade.

As Testemunhas de Jeová ainda aguardam a Segunda Vinda de Cristo?

Segundo o ensino das Testemunhas de Jeová, a presença de Cristo já começou. A organização relaciona o início dessa presença ao ano de 1914 e a apresenta como invisível.

Isso significa que, segundo esse ensino, as Testemunhas de Jeová não aguardam para o futuro o início da Segunda Vinda ou presença de Cristo. Elas ainda aguardam acontecimentos futuros relacionados ao julgamento e à intervenção de Cristo, mas o início de Sua presença já teria ocorrido em 1914.

Essa distinção é importante porque a investigação não pode se limitar à pergunta sobre quando Cristo voltaria. Antes disso, precisamos perguntar como as próprias Escrituras descrevem Sua volta.

As Escrituras realmente ensinam que a Segunda Vinda de Cristo ocorreria invisivelmente, de maneira que Sua presença precisaria ser reconhecida posteriormente por sinais e por uma interpretação cronológica?

Parousía — presença ou vinda?

Uma palavra frequentemente utilizada nessa discussão é o termo grego παρουσία (parousía). O termo pode transmitir a ideia de presença, mas também envolve a chegada de alguém e a presença resultante dessa chegada.

O próprio uso do termo no Novo Testamento demonstra que parousía não significa, por natureza, uma “presença invisível”. Em Filipenses 2:12, Paulo contrasta sua parousía, sua presença, com sua ausência. Em 2 Coríntios 7:6, a palavra é empregada em relação à chegada de Tito.

Portanto, traduzir parousía como “presença” não demonstra que essa presença seja invisível. A palavra, isoladamente, não resolve a questão.

É o contexto das Escrituras que deve determinar a natureza da parousía de Cristo.

Neste estudo, depois deste esclarecimento lexical, utilizaremos preferencialmente a palavra “vinda” ao nos referirmos à parousía de Cristo. Essa escolha não pretende restringir artificialmente o significado do termo grego, mas tornar a leitura mais clara em português. Como vimos, parousía pode envolver tanto a chegada quanto a presença resultante dela; contudo, a palavra, por si mesma, não significa “presença invisível”.

Mateus 24 — Como Jesus descreveu Sua própria volta?

“Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?”
— Mateus 24:3, NVI

A palavra traduzida como “vinda” nesse texto é justamente parousía. Portanto, a resposta de Jesus é fundamental para determinarmos a natureza de Sua vinda.

“Se, então, alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo!’ ou: ‘Ali está ele!’, não acreditem.”
— Mateus 24:23, NVI
“Assim, se alguém lhes disser: ‘Ele está lá, no deserto!’, não saiam; ou: ‘Ali está ele, dentro da casa!’, não acreditem.”
— Mateus 24:26, NVI
“Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem.”
— Mateus 24:27, NVI

A comparação escolhida por Cristo é significativa. O relâmpago não é apresentado como algo cuja ocorrência precisa ser descoberta posteriormente mediante um cálculo cronológico. Sua manifestação é evidente.

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.”
— Mateus 24:30, NVI
“E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.”
— Mateus 24:31, NVI

Vinda → manifestação → trombeta → anjos → reunião dos eleitos.

Onde o próprio texto estabelece que a parousía de Mateus 24:27 começou invisivelmente em determinado momento da história, enquanto a manifestação dos versículos 30–31 pertence a uma vinda diferente, separada da primeira por muitas décadas?

Não basta afirmar essa distinção. Precisamos encontrar apoio para ela no próprio texto.

Atos 1:9–11 — “Esse mesmo Jesus” voltará

“Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles.”
— Atos 1:9, NVI

Os discípulos viram Jesus subir. A nuvem O encobriu somente durante o processo da ascensão.

“Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Esse mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir.”
— Atos 1:11, NVI

A expressão “esse mesmo Jesus” estabelece continuidade entre Aquele que os discípulos viram subir e Aquele que voltará. A presença da nuvem não transforma a ascensão em um acontecimento invisível. Os discípulos estavam olhando para Jesus enquanto Ele subia, até que a nuvem O encobriu de sua vista.

Esse testemunho harmoniza-se com Mateus 24:30, onde Cristo declara que as nações verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. Portanto, Atos 1 não fornece apoio para a ideia de uma vinda de Cristo que começaria invisivelmente e somente depois seria reconhecida por meio de sinais ou cálculos cronológicos.

1 Tessalonicenses 4:13–18 — O que acontecerá na vinda do Senhor?

Paulo descreve diretamente aquilo que acontecerá na vinda de Cristo. O contexto é pastoral: alguns cristãos estavam preocupados com aqueles que haviam morrido, e Paulo os consola mostrando que a morte não excluiria os fiéis da esperança relacionada à volta do Senhor.

“Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”
— 1 Tessalonicenses 4:16, NVI
“Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.”
— 1 Tessalonicenses 4:17, NVI

O próprio Senhor desce → há uma ordem → ouve-se a voz do arcanjo → ressoa a trombeta de Deus → os mortos em Cristo ressuscitam → os salvos vivos são reunidos com eles → encontram o Senhor nos ares.

Paulo não apresenta a ressurreição como um acontecimento separado da vinda de Cristo por décadas. Ao contrário, ele a vincula diretamente à descida do próprio Senhor.

Os acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam diretamente à vinda do Senhor ocorreram quando, segundo esse ensino, Sua vinda começou?

Não podemos definir a vinda de Cristo isolando-a dos acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam diretamente a ela.

1 Coríntios 15:50–54 — Ressurreição e transformação

“Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.”
— 1 Coríntios 15:51–52, NVI

Trombeta → ressurreição dos mortos → transformação dos vivos.

O paralelo com 1 Tessalonicenses 4 é significativo. Em uma passagem, Paulo fala da descida do Senhor, da trombeta, da ressurreição e da reunião dos salvos. Na outra, fala da última trombeta, da ressurreição dos mortos e da transformação dos vivos.

Aquilo que as Escrituras dizem que acontece na vinda de Cristo aconteceu na data à qual, segundo o ensino das Testemunhas de Jeová, se atribui o início dessa vinda?

Apocalipse 1:7 — “Todo olho O verá”

“Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele.”
— Apocalipse 1:7, NVI

Não precisamos construir a conclusão sobre uma única expressão isolada desse versículo. O peso do argumento está no testemunho cumulativo das Escrituras.

O testemunho cumulativo das Escrituras não apresenta a Segunda Vinda de Cristo como um acontecimento invisível iniciado silenciosamente e reconhecido posteriormente mediante cálculos cronológicos e sinais interpretados depois do suposto início de Sua presença. Jesus compara Sua vinda ao relâmpago; os anjos anunciam que Ele voltará da maneira como os discípulos O viram subir; Paulo relaciona Sua vinda à descida do próprio Senhor, à trombeta de Deus, à ressurreição dos mortos em Cristo e à transformação dos vivos; e João declara que Cristo vem com as nuvens e que todo olho O verá.
Se é assim que as inspiradas Escrituras descrevem a vinda de Cristo, onde está o apoio bíblico para afirmar que Ele já voltou invisivelmente, enquanto os acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam à Sua vinda ainda são aguardados para o futuro?

A vinda de Cristo começou em 1914, segundo as Testemunhas de Jeová?

Depois de estabelecermos como as inspiradas Escrituras descrevem a vinda de Cristo, podemos colocar diante desse testemunho o ensino das Testemunhas de Jeová acerca do ano de 1914.

Segundo a interpretação atual das Testemunhas de Jeová, 1914 marcou o início da presença invisível de Jesus Cristo e de Seu governo como Rei no céu. Portanto, dentro desse sistema doutrinário, a Segunda Presença de Cristo não é inteiramente um acontecimento ainda futuro: seu início já teria ocorrido em 1914.

Isso não significa que as Testemunhas de Jeová considerem concluídos todos os acontecimentos relacionados à atuação futura de Cristo. Elas ainda aguardam acontecimentos relacionados ao julgamento e à intervenção de Cristo.

Existe apoio nas próprias Escrituras para separar a vinda de Cristo em uma presença invisível iniciada em 1914 e uma manifestação posterior, ocorrida muitas décadas depois desse suposto início?

Até aqui, os textos examinados não estabeleceram essa separação.

Não encontramos apoio bíblico para uma Segunda Vinda de Cristo que tenha começado invisivelmente em 1914, separada por um longo período dos acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam diretamente à Sua vinda.

Por que 1914?

O ano de 1914 não aparece nas Escrituras como uma data declarada para a vinda de Cristo. Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, essa data é alcançada por meio de uma construção cronológica que relaciona diferentes passagens bíblicas e períodos proféticos.

As próprias Escrituras estabelecem os elementos necessários para construir esse cálculo?

Uma operação matemática pode estar perfeitamente correta e, ainda assim, produzir uma conclusão teológica equivocada caso os números utilizados tenham sido relacionados por premissas que as próprias Escrituras não estabelecem.

Antes de 1914, a presença invisível era situada em 1874

Segundo o entendimento defendido pelos primeiros Estudantes da Bíblia associados a Charles Taze Russell, a presença invisível de Cristo já havia começado em 1874. Isso é particularmente importante porque demonstra que, naquele período, 1914 não era entendido como o início dessa presença.

O próprio título do periódico Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo) refletia a convicção de que Cristo já estava presente. Segundo essa interpretação então defendida, 1874 marcava o início da presença invisível, enquanto 1914 estava relacionado ao término dos “tempos dos gentios” e a acontecimentos que se esperava ocorrer ao final daquele período.

1874 foi primeiro apresentado como o início da presença invisível de Cristo. Posteriormente, essa cronologia foi considerada inexata. Então 1914 passou a ocupar o lugar que anteriormente pertencia a 1874.
Se 1874 pôde ser sustentado por interpretação cronológica e posteriormente reconhecido como inexato, que apoio nas próprias Escrituras demonstra que 1914, que posteriormente ocupou seu lugar, é a data correta?

A pergunta não pressupõe que 1914 esteja errado simplesmente porque 1874 foi abandonado. Se a data precisa ser estabelecida por interpretação cronológica, cada elo dessa interpretação precisa encontrar apoio nas próprias Escrituras.

Daniel 4 — Os “sete tempos” conduzem realmente a 1914?

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, os “sete tempos” mencionados em Daniel 4 possuem, além do cumprimento relacionado a Nabucodonosor, um segundo cumprimento profético que conduz ao ano de 1914.

“És tu, ó rei, que cresceste e te tornaste forte; a tua grandeza cresceu até alcançar o céu, e o teu domínio se estende até os confins da terra.”
— Daniel 4:22, NVI

O próprio texto identifica a árvore: “És tu, ó rei.”

“Tu serás expulso do meio dos homens e viverás com os animais selvagens; comerás capim como os bois e serás molhado pelo orvalho do céu. Passarão sete tempos até que reconheças que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.”
— Daniel 4:25, NVI
“A ordem para deixar o toco da árvore com as raízes significa que o teu reino te será devolvido quando reconheceres que os Céus dominam.”
— Daniel 4:26, NVI

A árvore representa Nabucodonosor → ele perde temporariamente sua condição e domínio → passam sobre ele sete tempos → ele reconhece a soberania do Altíssimo → seu reino lhe é restaurado.

Onde Daniel 4 declara que a árvore, depois de representar Nabucodonosor, passa a representar o reino davídico de Jerusalém?

Onde o capítulo afirma que os “sete tempos” possuem um segundo período profético de milhares de anos?

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, para que Daniel 4 conduza a 1914 é necessário construir sucessivamente uma cadeia interpretativa que relaciona:

Daniel 4 → Lucas 21:24 → Apocalipse 12:6,14 → Números 14:34/Ezequiel 4:6 → 607 a.C. → 2.520 anos → 1914 d.C.

Se qualquer elo indispensável dessa cadeia não tiver apoio nas Escrituras, 1914 não pode ser apresentado como uma data estabelecida pelas Escrituras.

Daniel 4 e Lucas 21:24 — As Escrituras identificam os “sete tempos” com os “tempos das nações”?

“Cairão pela espada e serão levados como prisioneiros para todas as nações. Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos deles se cumpram.”
— Lucas 21:24, NVI

O texto menciona um período relacionado às nações e a Jerusalém. Entretanto, Jesus não menciona Daniel 4, Nabucodonosor, a árvore de seu sonho nem os “sete tempos” que passaram sobre o rei. Da mesma maneira, Daniel 4 não identifica os sete tempos de Nabucodonosor com os “tempos das nações” mencionados posteriormente por Jesus.

Daniel 4: sete tempos passam sobre Nabucodonosor.
Lucas 21:24: Jesus fala de Jerusalém sendo pisada pelos gentios até que os tempos deles se cumpram.

A equação “sete tempos de Daniel 4 = tempos das nações de Lucas 21:24” não é apresentada em nenhum dos dois textos.

As Escrituras afirmam que Daniel 4 apresenta sete tempos relacionados ao juízo sobre Nabucodonosor. As Escrituras afirmam que Lucas 21:24 menciona os tempos das nações no contexto das palavras de Jesus acerca de Jerusalém. Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, essas duas expressões se referem ao mesmo período profético e constituem partes de uma única cronologia.

A identificação dos “sete tempos” de Daniel 4 com os “tempos das nações” de Lucas 21:24 não é estabelecida pelas Escrituras. Daniel não faz essa identificação. Jesus não faz essa identificação. A ligação é acrescentada pela interpretação cronológica das Testemunhas de Jeová como um elo necessário para que o cálculo possa avançar em direção a 1914.

Apocalipse 12 — Sete tempos correspondem a 2.520 dias?

“A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias.”
— Apocalipse 12:6, NVI
“Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto, onde seria sustentada durante um tempo, tempos e meio tempo, fora do alcance da serpente.”
— Apocalipse 12:14, NVI

Dentro desse contexto, Apocalipse 12 apresenta o período de 1.260 dias e o período de um tempo, tempos e meio tempo, isto é, três tempos e meio, dentro da descrição do mesmo quadro profético.

3½ tempos = 1.260 dias.

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, se três tempos e meio correspondem a 1.260 dias, então sete tempos — o dobro de três tempos e meio — correspondem a 2.520 dias.

3½ tempos = 1.260 dias; 7 tempos = 2.520 dias.

A operação matemática é correta. Mas a questão é onde as Escrituras determinam que a medida apresentada em Apocalipse 12 deve ser transportada para os “sete tempos” de Daniel 4.

Apocalipse 12 não menciona Nabucodonosor, não menciona a árvore de Daniel 4 e não afirma estar explicando os sete tempos que passaram sobre o rei. Daniel 4, por sua vez, não orienta o leitor a procurar em outra profecia uma fórmula para converter seus sete tempos em 2.520 dias.

As Escrituras estabelecem: dentro de Apocalipse 12, três tempos e meio correspondem a 1.260 dias.

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová: essa medida deve ser aplicada aos sete tempos de Daniel 4, produzindo 2.520 dias.

As Escrituras não estabelecem: que Apocalipse 12 forneça a chave cronológica para converter os sete tempos de Daniel 4 em 2.520 dias.

Uma operação matemática correta não transforma em bíblica uma premissa interpretativa que ainda precisa ser demonstrada pelas Escrituras.

Números 14:34 e Ezequiel 4:6 — Existe uma regra profética de “um dia por um ano”?

Depois de relacionar, segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, os sete tempos de Daniel 4 aos 2.520 dias obtidos a partir da medida encontrada em Apocalipse 12, ainda é necessário transformar esses 2.520 dias em 2.520 anos.

“Durante quarenta anos vocês sofrerão por causa dos seus pecados e experimentarão a minha rejeição; cada ano corresponderá a um dos quarenta dias em que vocês observaram a terra.”
— Números 14:34, NVI

Os espias haviam permanecido quarenta dias examinando a terra, e Deus determinou especificamente quarenta anos de consequências para Israel. A correspondência existe porque o próprio Deus estabelece explicitamente a relação naquele contexto específico.

“Depois que você tiver cumprido esses dias, deite-se sobre o lado direito e leve a culpa da nação de Judá. Eu determinei que você faça isso durante quarenta dias, um dia para cada ano.”
— Ezequiel 4:6, NVI

Novamente, a correspondência é expressamente determinada pelo próprio Deus. As Escrituras apresentam situações em que Deus utiliza uma correspondência entre dias e anos, mas Números 14 e Ezequiel 4 não estabelecem uma regra universal segundo a qual qualquer período profético deva ser convertido dessa maneira.

Daniel 4 não declara “um dia por um ano” e também não afirma que seus sete tempos devam ser primeiramente convertidos em 2.520 dias e, posteriormente, em 2.520 anos.

As Escrituras demonstram que Deus utilizou a correspondência entre dias e anos em situações específicas nas quais Ele próprio estabeleceu essa relação. Contudo, não encontramos em Números 14, Ezequiel 4 ou Daniel 4 uma regra que determine que os sete tempos que passaram sobre Nabucodonosor devam ser convertidos em 2.520 anos. Essa conversão pertence à construção cronológica das Testemunhas de Jeová, e não à explicação fornecida pelo texto de Daniel.

Os setenta anos de Jeremias e a data de 607 a.C.

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, Jerusalém foi destruída em 607 a.C., e essa data constitui o ponto inicial dos 2.520 anos que, segundo o cálculo da organização, terminariam em 1914 d.C.

“Toda esta terra se tornará uma ruína desolada, e estas nações estarão sujeitas ao rei da Babilônia durante setenta anos.”
— Jeremias 25:11, NVI

O versículo seguinte acrescenta que, completados os setenta anos, Deus castigaria o rei da Babilônia e aquela nação. Jeremias não fornece nesse texto a data de 607 a.C. Também não instrui o leitor a tomar uma data posterior relacionada ao retorno dos judeus e contar exatamente setenta anos para trás a fim de determinar a data da destruição de Jerusalém.

Segundo a interpretação das Testemunhas de Jeová, o raciocínio cronológico parte do retorno dos judeus, situado por elas em 537 a.C., e retrocede setenta anos, chegando a 607 a.C. A operação matemática é simples, mas a questão é onde as próprias Escrituras estabelecem que os setenta anos de Jeremias devem ser calculados dessa maneira para determinar a data da destruição de Jerusalém.

Uma suposta data da vinda de Cristo não pode ser utilizada para justificar o ponto inicial de uma cronologia que depois será apresentada como prova daquela mesma suposta data.

Independentemente da necessidade de chegar a 1914 d.C., as próprias Escrituras estabelecem 607 a.C. como data da destruição de Jerusalém?

Não.

As Escrituras registram a destruição de Jerusalém, o domínio babilônico, o exílio e os setenta anos mencionados por Jeremias, mas não fornecem a data de 607 a.C. como data explícita para a destruição da cidade.

A reconstrução cronológica amplamente aceita pelos historiadores e especialistas situa a destruição de Jerusalém aproximadamente em 587/586 a.C., com base no conjunto das evidências disponíveis para o período neobabilônico. Essa reconstrução histórica não deve ser confundida com uma data fornecida diretamente pelas Escrituras, nem precisa ser tratada como se possuísse a precisão de um registro cronológico moderno.

Daniel 4 + Lucas 21:24 + Apocalipse 12:6,14 + Números 14:34/Ezequiel 4:6 + 607 a.C. = 1914 d.C.

Mas essa fórmula não existe nas Escrituras.

Não estamos contestando uma soma; estamos perguntando se Deus revelou a equação.

A matemática pode estar correta e, ainda assim, a interpretação que determinou quais números deveriam ser colocados na equação estar errada.

As expectativas cronológicas ao longo da história

As datas examinadas a seguir não foram todas apresentadas como datas para o mesmo acontecimento. Seria historicamente incorreto afirmar isso. Algumas foram relacionadas à presença de Cristo; outras, à glorificação dos fiéis, ao juízo sobre a cristandade, à ressurreição de antigos servos de Deus ou ao término de determinados períodos cronológicos.

O ponto examinado é outro: sucessivamente, interpretações cronológicas foram utilizadas para atribuir datas a acontecimentos proféticos. Precisamos, portanto, perguntar se essas expectativas realmente procediam das Escrituras e, especialmente, que autoridade lhes foi atribuída quando foram anunciadas.

1874 — O início da presença invisível

Segundo a interpretação defendida pelos primeiros Estudantes da Bíblia associados a Charles Taze Russell, 1874 marcava o início da presença invisível de Cristo. Esse fato possui importância especial porque hoje as Testemunhas de Jeová atribuem esse início a 1914.

Durante aquele período, 1874 foi entendido como o início da presença de Cristo, enquanto 1914 possuía outro significado dentro da cronologia. Posteriormente, a própria literatura das Testemunhas de Jeová reconheceu que a cronologia que conduzia a 1874 era inexata, e essa data deixou de ser considerada o início da presença de Cristo.

Segundo a interpretação anterior: 1874 — início da presença invisível.
Segundo a interpretação atual: 1914 — início da presença invisível.

1878 — Uma expectativa diferente

Não seria correto apresentar 1878 como outra data para o início da Segunda Vinda. Segundo as interpretações defendidas naquele período, 1878 foi relacionado a expectativas acerca do exercício do poder régio de Cristo e da condição dos fiéis ligados à chamada celestial. Quando as expectativas relacionadas àquele período não ocorreram da maneira esperada, seu significado foi posteriormente reinterpretado.

1881 — Outra expectativa cronológica

O ano de 1881 também apareceu nas interpretações cronológicas daquele período, mas não se tratava de uma nova data para a Segunda Vinda de Cristo. 1881 foi relacionado à expectativa de encerramento de uma oportunidade especial ligada à chamada celestial e à formação da classe entendida como a Noiva de Cristo.

Em cada uma dessas interpretações cronológicas, onde termina aquilo que as Escrituras realmente afirmam e onde começa aquilo que homens acrescentaram ao texto por meio de seus próprios cálculos?

1914 — O que se esperava antes de 1914?

Seria historicamente incorreto projetar sobre os anos anteriores a 1914 o significado que atualmente as Testemunhas de Jeová atribuem àquela data. Segundo a interpretação defendida naquele período, a presença invisível de Cristo já havia começado em 1874. 1914 estava associado ao término dos chamados “tempos dos gentios” e a expectativas de uma culminação muito mais ampla.

Antes de 1914, 1914 não era apresentado como o início da presença invisível de Cristo, porque, segundo o entendimento daquele período, essa presença já havia começado quarenta anos antes, em 1874.

Em 1894, Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo) reafirmava confiança nas datas cronológicas defendidas pelo movimento e empregava a expressão “God’s dates, not ours” (“datas de Deus, não nossas”). Naquele contexto, 1914 era tratado não como o começo do período de tribulação esperado, mas como seu término.

Não estamos afirmando que Deus estabeleceu aquelas datas. Estamos registrando que homens atribuíram à cronologia uma autoridade que relacionavam ao próprio Deus.

1914 e a posterior mudança de significado

Quando os acontecimentos esperados não se realizaram da maneira como haviam sido compreendidos, 1914 não desapareceu da estrutura cronológica. Seu significado foi progressivamente reinterpretado. A antiga data de 1874 deixou de ser considerada o início correto da presença de Cristo, e 1914 passou a ocupar essa posição na doutrina atual das Testemunhas de Jeová.

Segundo a interpretação anterior: 1874.
Segundo a interpretação atual: 1914.

Foi Deus quem mudou o significado da data, ou foram homens que reinterpretaram seus próprios cálculos depois que os acontecimentos esperados não ocorreram como haviam entendido?

1918 — Expectativas relacionadas ao juízo

O ano de 1918 também apareceu associado a expectativas proféticas nas publicações daquele período. The Finished Mystery (O Mistério Consumado), publicado em 1917, relacionava sua interpretação cronológica a acontecimentos que se esperava atingirem as igrejas e a cristandade. Não devemos apresentar 1918 como outra data para a Segunda Vinda; encontramos mais uma aplicação de cálculos cronológicos a acontecimentos proféticos específicos.

1925 — A expectativa da volta dos antigos servos de Deus

No livro Millions Now Living Will Never Die! (Milhões que Agora Vivem Jamais Morrerão!), publicado em 1920, foram apresentadas expectativas relacionadas ao ano de 1925. Entre elas estava a expectativa de que antigos servos de Deus, como Abraão, Isaque e Jacó, retornariam à vida e receberiam uma função na nova ordem esperada.

1925 chegou, mas esses acontecimentos não ocorreram. Seria incorreto dizer que 1925 foi simplesmente “outra data para a Segunda Vinda”. O que se observa é que uma interpretação cronológica novamente produziu expectativas concretas acerca de acontecimentos futuros.

1975 — Expectativa, possibilidade e responsabilidade

Em Life Everlasting—in Freedom of the Sons of God (Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus), publicado em 1966, uma tabela cronológica situava em 1975 o término de seis mil anos da existência humana. Publicações posteriores discutiram o significado que esse marco cronológico poderia possuir.

Não seria correto afirmar que a organização declarou inequivocamente que o Armagedom necessariamente ocorreria em 1975. Houve advertências contra afirmar especificamente aquilo que aconteceria naquele ano. Entretanto, posteriormente a própria organização reconheceu que se criou considerável expectativa em torno de 1975 e que algumas declarações publicadas contribuíram para que aquilo que deveria ser tratado como possibilidade fosse percebido com maior grau de probabilidade.

Quando uma interpretação cronológica falha, não foi a Palavra de Deus que falhou. A questão é se homens atribuíram às Escrituras conclusões que as próprias Escrituras nunca estabeleceram.

A questão da direção divina

Depois de observarmos essas mudanças históricas, podemos enfrentar a questão da autoridade atribuída a essas interpretações. Publicações ligadas ao movimento empregaram linguagem que relacionava seu entendimento cronológico à orientação divina.

Em 1894 apareceu a expressão “God’s dates, not ours” (“datas de Deus, não nossas”). Décadas depois, publicações também empregaram expressões relacionadas a “divine guidance” (“orientação divina”), ao espírito de Deus e ao esclarecimento progressivo.

Uma coisa é um servo de Deus cometer um erro ao interpretar as Escrituras. Outra coisa é atribuir a Deus o esclarecimento de uma interpretação doutrinária e posteriormente reconhecer que essa interpretação estava errada.

Não precisamos julgar a sinceridade das pessoas envolvidas. Também não precisamos afirmar que Deus revelou determinada data quando a documentação não diz isso. Precisamos apenas aplicar o princípio bíblico já estabelecido.

“Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto Ele é.”
— Deuteronômio 32:4, NVI

Quem errou: Deus ou os homens que atribuíram seus cálculos a Deus?

Deus não errou.

Se determinada interpretação cronológica estava errada, o erro estava nos homens que formularam aquela interpretação ou atribuíram a Deus aquilo que Ele não havia revelado.

Se a revelação veio verdadeiramente de Deus, o erro não pode estar na revelação. Se houve erro, ele estava no homem que interpretou ou atribuiu a Deus aquilo que Deus não havia revelado.

Deus pode corrigir o homem que errou ao interpretar Sua Palavra. Mas Deus não precisa corrigir uma revelação que realmente procedeu dEle, porque Deus não revela o erro.

“Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade.”
— Atos 1:7, NVI
Se Cristo advertiu Seus próprios discípulos de que não lhes competia conhecer os tempos ou as datas estabelecidos pelo Pai, com que apoio bíblico homens posteriormente estabeleceram datas para acontecimentos relacionados à volta de Cristo e atribuíram seus cálculos à direção ou ao esclarecimento procedente de Deus?

A questão não é se homens sinceros podem cometer erros. Podem. A questão é se uma interpretação humana pode receber autoridade divina que as próprias Escrituras nunca lhe concederam.

Conclusão — A vinda de Cristo e o ano de 1914 permanecem de pé diante das Escrituras?

Ao longo desta parte da investigação, não começamos pela cronologia das Testemunhas de Jeová para depois procurar textos bíblicos que pudessem sustentá-la. Primeiro examinamos aquilo que as inspiradas Escrituras ensinam. Depois, colocamos diante desse testemunho o ensino das Testemunhas de Jeová.

O testemunho das Escrituras acerca da volta de Cristo

Mateus 24 compara a vinda de Cristo ao relâmpago e declara que as nações verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com poder e grande glória. Atos 1 anuncia que “esse mesmo Jesus” voltará da mesma forma como os discípulos O viram subir. 1 Tessalonicenses 4 relaciona a descida do próprio Senhor à voz do arcanjo, à trombeta de Deus, à ressurreição dos mortos em Cristo e à reunião dos salvos. 1 Coríntios 15 relaciona a última trombeta à ressurreição dos mortos e à transformação dos vivos. Apocalipse 1:7 declara que Cristo vem com as nuvens e que “todo olho O verá”.

O testemunho cumulativo das Escrituras não apresenta a Segunda Vinda de Cristo como um acontecimento invisível iniciado silenciosamente e reconhecido posteriormente mediante cálculos cronológicos. Também não encontramos nesses textos uma separação de muitas décadas entre o início invisível da vinda de Cristo e os acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam diretamente a ela.

Se é assim que as inspiradas Escrituras descrevem a vinda de Cristo, onde está o apoio bíblico para afirmar que Ele já voltou invisivelmente, enquanto os acontecimentos que as próprias Escrituras vinculam à Sua vinda ainda são aguardados para o futuro?

A construção cronológica que conduz a 1914

Daniel 4 → Lucas 21:24 → Apocalipse 12:6,14 → Números 14:34/Ezequiel 4:6 → 607 a.C. → 2.520 anos → 1914 d.C.

Daniel 4 não identifica seus sete tempos com os “tempos das nações” de Lucas 21:24. Lucas 21:24 também não faz essa identificação. Apocalipse 12 não determina que sua medida de três tempos e meio e 1.260 dias seja transportada para Daniel 4. Números 14:34 e Ezequiel 4:6 apresentam correspondências específicas determinadas pelo próprio Deus, mas não estabelecem uma regra universal a ser aplicada aos sete tempos de Daniel.

As próprias Escrituras também não fornecem 607 a.C. como data da destruição de Jerusalém nem determinam que essa data seja utilizada como ponto inicial dos sete tempos de Daniel.

A matemática pode estar correta e, ainda assim, a interpretação que determinou quais números deveriam ser colocados na equação estar errada.

Não estamos contestando uma soma; estamos perguntando se Deus revelou a equação.

De 1874 para 1914

Segundo a interpretação anteriormente defendida pelos Estudantes da Bíblia associados a Charles Taze Russell, 1874, e não 1914, marcava o início da presença invisível de Cristo. Posteriormente, a cronologia relacionada a 1874 foi considerada inexata, e 1914 passou a ocupar o lugar que anteriormente pertencia a 1874 como início da presença invisível de Cristo.

Se 1874 pôde ser sustentado por uma interpretação cronológica e posteriormente reconhecido como inexato, que apoio nas próprias Escrituras demonstra que 1914, que posteriormente ocupou seu lugar, é a data correta?

A cronologia é que terá de permanecer de pé diante das Escrituras.

Quem errou: Deus ou os homens?

Foi Deus quem mudou o significado da data, ou foram homens que reinterpretaram seus próprios cálculos depois que os acontecimentos esperados não ocorreram como haviam entendido?

Se uma revelação veio verdadeiramente de Deus, o erro não pode estar na revelação. Se houve erro, ele estava no homem que interpretou ou atribuiu a Deus aquilo que Deus não havia revelado.

Deus pode corrigir o homem que errou ao interpretar Sua Palavra. Mas Deus não precisa corrigir uma revelação que realmente procedeu dEle, porque Deus não revela o erro.

“Não lhes compete saber os tempos ou as datas”

“Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade.”
— Atos 1:7, NVI
Que apoio existe nas próprias Escrituras para homens calcularem o momento da presença de Cristo e atribuírem a esse cálculo esclarecimento procedente de Deus, quando o próprio Cristo declarou que os tempos e as datas pertencem à autoridade do Pai?

A conclusão desta investigação

Não encontramos apoio nas próprias Escrituras para o ensino das Testemunhas de Jeová de que a Segunda Vinda de Jesus Cristo começou invisivelmente em 1914.

As Escrituras não estabelecem uma presença invisível iniciada naquela data. Não estabelecem a cadeia interpretativa necessária para transformar os sete tempos de Nabucodonosor em 2.520 anos. Não estabelecem 607 a.C. como ponto inicial dessa contagem. E não separam o início da vinda de Cristo dos acontecimentos que elas próprias relacionam diretamente a essa vinda.

Portanto, não é necessário escolher entre 1874 e 1914. A pergunta correta é anterior às duas datas: Onde Deus estabeleceu nas Escrituras qualquer uma delas como o início da Segunda Vinda de Cristo?
As Escrituras não estão no banco dos réus. Elas são o tribunal. O que está sendo julgado à luz delas são os ensinos das Testemunhas de Jeová.
Não são as Escrituras que precisam se ajustar aos ensinos de uma organização religiosa; são os ensinos de qualquer organização religiosa que precisam permanecer de pé diante das Escrituras.

Continue esta investigação

Depois de examinarmos a volta de Cristo e o ensino de 1914 à luz das Escrituras, nossa investigação avança para uma questão diretamente relacionada à autoridade religiosa. Na Parte V, examinaremos o ensino sobre o “escravo fiel e prudente” e a autoridade atribuída ao Corpo Governante, verificando se essa interpretação encontra apoio nas próprias Escrituras.

→ Continue a leitura: Parte V — O “Escravo Fiel e Prudente” e a Autoridade do Corpo Governante

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Referências bibliográficas e documentais

BÍBLIA. Nova Versão Internacional (NVI). Passagens citadas ao longo do estudo.

RUSSELL, Charles Taze. Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo), 15 jul. 1894. Documento histórico que contém a expressão “God’s dates, not ours” (“datas de Deus, não nossas”) e apresenta 1914, naquele entendimento cronológico, como término do período esperado de tribulação.

RUSSELL, Charles Taze. The Time Is at Hand (O Tempo Está Próximo). Série Studies in the Scriptures, v. 2. Obra histórica utilizada na formulação das cronologias dos primeiros Estudantes da Bíblia.

WATCH TOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY. The Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia e Arauto da Presença de Cristo), 15 maio 1922. Documento histórico relacionado à confiança então expressa nas cronologias de 1874, 1914, 1918 e 1925 e à linguagem de “divine guidance” (“orientação divina”).

WATCH TOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY. The Finished Mystery (O Mistério Consumado). 1917. Obra histórica relacionada às expectativas cronológicas atribuídas ao período de 1918.

RUTHERFORD, Joseph F. Millions Now Living Will Never Die! (Milhões que Agora Vivem Jamais Morrerão!). 1920. Obra histórica relacionada às expectativas para 1925, inclusive a volta de antigos servos de Deus como Abraão, Isaque e Jacó.

WATCH TOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY. Life Everlasting—in Freedom of the Sons of God (Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus). 1966. Obra que apresenta a cronologia que situa em 1975 o término de seis mil anos da existência humana.

WATCH TOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY. “Why Are You Looking Forward to 1975?” (Por que você aguarda 1975?). The Watchtower, 1968. Artigo relacionado às expectativas em torno do marco cronológico de 1975.

WATCH TOWER BIBLE AND TRACT SOCIETY. The Watchtower, 1980. Material retrospectivo que reconhece a considerável expectativa criada em torno de 1975 e a contribuição de declarações publicadas para essa expectativa.

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Publicações históricas e retrospectivas oficiais sobre a cronologia de 1874 e 1914, incluindo materiais que reconhecem 1874 como antiga data atribuída ao início da presença invisível e posteriormente descrevem essa cronologia como inexata, bem como materiais que apresentam 1914 como início da presença de Cristo.

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Proclamadores do Reino de Deus. 1993. História oficial do movimento, utilizada para comparar expectativas anteriores a 1914 com interpretações posteriores.

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Publicações oficiais posteriores sobre “esclarecimento espiritual”, ajuda do espírito de Deus e direção divina no desenvolvimento de entendimentos cronológicos. Utilizadas somente nos limites em que os próprios documentos atribuem essa linguagem ao processo interpretativo.

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