OS ENSINOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ À PROVA DAS ESCRITURAS — PARTE II
O Espírito Santo e o ensino da “força ativa” à prova das Escrituras
Cleriston Bezerra
As Testemunhas de Jeová ensinam que o Espírito Santo não é uma Pessoa divina, mas a “força ativa” de Deus. Entretanto, essa definição consegue explicar tudo aquilo que as próprias Escrituras revelam acerca dEle?
Nesta Parte II, permitiremos primeiro que as Escrituras revelem quem o Espírito Santo é. Somente depois colocaremos diante desse testemunho o ensino que O apresenta como uma força impessoal.
Este artigo faz parte da série “Os Ensinos das Testemunhas de Jeová à Prova das Escrituras”. O estudo foi dividido em partes, cada uma dedicada ao exame de um ensino específico à luz das Escrituras.
Introdução
Nesta parte, examinaremos aquilo que as próprias Escrituras revelam acerca do Espírito Santo. Não partiremos de uma formulação religiosa previamente estabelecida para determinar o sentido dos textos. Primeiro permitiremos que o testemunho bíblico revele quem o Espírito Santo é; somente depois colocaremos diante desse testemunho o ensino das Testemunhas de Jeová que O apresenta como uma “força ativa” impessoal.
As Escrituras não estão no banco dos réus. Elas são o tribunal. O que está sendo julgado à luz delas são os ensinos das Testemunhas de Jeová.
O Espírito Santo é apenas uma “força ativa”?
A Tradução do Novo Mundo emprega em Gênesis 1:2 a expressão “força ativa de Deus”. O texto hebraico, porém, traz רוּחַ אֱלֹהִים (rûaḥ ʾĕlōhîm), expressão que pode ser traduzida, conforme o contexto, por “Espírito de Deus” ou entendida dentro do campo semântico de rûaḥ, termo que pode designar espírito, sopro ou vento.
“Força ativa” não corresponde ao vocabulário empregado no texto hebraico de Gênesis 1:2. Trata-se de uma expressão interpretativa utilizada pela Tradução do Novo Mundo para transmitir a compreensão das Testemunhas de Jeová acerca do Espírito de Deus.
A tradução “força ativa” precisa ser justificada pelo próprio texto hebraico, e não pela doutrina que posteriormente será defendida com base nessa mesma tradução. Caso contrário, cria-se um raciocínio circular: interpreta-se rûaḥ à luz da doutrina e, depois, utiliza-se essa interpretação inserida na tradução como evidência da própria doutrina.
Gênesis 1:2, isoladamente, não pretende oferecer uma exposição completa sobre a personalidade do Espírito Santo. Por isso, a pergunta deve ser respondida pelo conjunto das Escrituras.
Atos 13:2–4 — O Espírito Santo fala, chama e envia
“Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.’”
— Atos 13:2, NVI
O Espírito Santo aparece como sujeito da fala, utiliza a primeira pessoa — “Separem-me” — e declara ter chamado Barnabé e Saulo para uma obra. No versículo 4, eles são enviados pelo Espírito Santo. A passagem não apresenta os discípulos utilizando uma força; apresenta o Espírito Santo falando, chamando e enviando servos para a missão.
Atos 5:3–4,9 — Mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus
Pedro pergunta a Ananias por que Satanás encheu seu coração para que mentisse ao Espírito Santo. Em seguida declara que ele não mentiu aos homens, mas a Deus. No versículo 9, o mesmo Espírito é chamado “Espírito do Senhor”.
O Espírito Santo não é apresentado em Atos 5 como uma força impessoal de Deus, mas como o próprio Deus. Ananias mentiu ao Espírito Santo, e Pedro declara que, ao fazê-lo, mentiu a Deus.
O texto é direto: aquele a quem Ananias mentiu no versículo 3 — o Espírito Santo — é identificado no versículo 4 como Deus. Portanto, não é a divindade do Espírito Santo que está à prova; o que está à prova das Escrituras é o ensino das Testemunhas de Jeová que O reduz a uma “força ativa” impessoal.
1 Coríntios 2:10–11 — O Espírito Santo conhece as profundezas de Deus
Paulo afirma que “o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas profundas de Deus” e acrescenta que ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus. No grego, τὸ γὰρ πνεῦμα πάντα ἐραυνᾷ inclui o Espírito como sujeito da ação de sondar.
“Sondar” não significa que o Espírito desconheça aquilo que procura conhecer, pois o versículo seguinte declara que Ele conhece as coisas de Deus. A comparação com o espírito do homem é uma analogia relacionada ao conhecimento, não uma definição do Espírito Santo como energia.
O Espírito Santo conhece aquilo que pertence às profundezas do próprio Deus. Ele não é apresentado pelas Escrituras como uma força impessoal, mas como Alguém que conhece, sonda e revela. E, conforme já demonstrado em Atos 5:3–4, esse mesmo Espírito Santo é identificado como Deus.
Não são as Escrituras que precisam explicar-se diante da doutrina da “força ativa”; é a doutrina da “força ativa” que precisa explicar-se diante das Escrituras.
1 Coríntios 12:4–11 — O Espírito Santo possui vontade e distribui os dons como quer
Paulo apresenta diversidade de dons, serviços e realizações e menciona, no mesmo contexto, o Espírito, o Senhor e Deus. No versículo 11, afirma que “todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer”.
A expressão grega καθὼς βούλεται (kathōs bouletai) significa “como quer” ou “conforme Sua vontade”. O Espírito é o sujeito: Ele age, distribui e exerce vontade. Quem determina a distribuição dos dons é o próprio Espírito Santo.
As Escrituras não apresentam o Espírito Santo como uma “força ativa” utilizada para distribuir os dons. Apresentam o próprio Espírito Santo como Aquele que os distribui individualmente conforme Sua vontade.
O Espírito Santo fala as palavras do SENHOR
2 Samuel 23:2–3
“O Espírito do SENHOR falou por meu intermédio; sua palavra esteve em minha língua. O Deus de Israel falou, a Rocha de Israel me disse...”
— 2 Samuel 23:2–3, NVI
No hebraico, רוּחַ יְהוָה דִּבֶּר־בִּי (rûaḥ YHWH dibber-bî) apresenta o Espírito do SENHOR como sujeito da fala e Davi como instrumento. Em seguida, “O Deus de Israel falou” aparece em paralelo com a mesma declaração profética.
Hebreus 3:7–11 e Salmo 95:7–11
Hebreus introduz as palavras do Salmo 95 com καθὼς λέγει τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον — “como diz o Espírito Santo”. No Salmo, essas palavras são apresentadas como a voz do SENHOR. Em Hebreus, o Espírito fala em primeira pessoa acerca do que Israel fez contra Ele, de Seus caminhos, Sua ira e Seu descanso.
Atos 28:25–27 e Isaías 6:8–10
Paulo declara que “o Espírito Santo falou” por meio do profeta Isaías. Ao retornarmos a Isaías 6, encontramos o próprio Senhor pronunciando as palavras citadas. Atos atribui ao Espírito Santo a fala que Isaías registra como fala do Senhor.
Hebreus 10:15–17 e Jeremias 31
O autor de Hebreus declara que “o Espírito Santo também nos testifica” e, em seguida, apresenta palavras da Nova Aliança que Jeremias registra como palavras do SENHOR. O verbo μαρτυρέω (martyreō) significa testemunhar, e o Espírito Santo é o sujeito da ação.
Essas passagens não são ocorrências desconectadas. Repetidamente, as Escrituras atribuem ao Espírito Santo palavras apresentadas em outros contextos como palavras do próprio SENHOR.
Salmo 139:7–10 — O Espírito de Deus e Sua presença
Davi pergunta: “Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?” As expressões hebraicas referentes ao Espírito e à presença não são sinônimos lexicais, mas aparecem em paralelo no contexto da presença e do conhecimento de Deus.
O Salmo 139, isoladamente, não pretende demonstrar toda a personalidade do Espírito Santo. Sua contribuição é mostrar que o Espírito de Deus é relacionado diretamente à presença divina: não existe lugar para onde o salmista possa fugir de Seu Espírito e da presença de Deus.
Jó 33:4 e Salmo 104:30 — O Espírito de Deus na criação e na concessão da vida
“O Espírito de Deus me fez; o sopro do Todo-poderoso me dá vida.”
— Jó 33:4, NVI
A expressão hebraica רוּחַ־אֵל עָשָׂתְנִי (rûaḥ-ʾēl ʿāśāṯnî) atribui ao Espírito de Deus a ação de fazer. Em Salmo 104:30, quando Deus envia Seu Espírito, os seres são criados e a face da terra é renovada.
Não precisamos afirmar que cada ocorrência isolada do verbo “criar” ou do substantivo rûaḥ prove, sozinha, toda a doutrina acerca do Espírito Santo. Entretanto, o testemunho é significativo quando unido às passagens que revelam Sua personalidade e O identificam como Deus.
O Espírito Santo não é apresentado pelas Escrituras como uma energia utilizada pelo Criador. O Espírito de Deus aparece no cenário da criação, é apresentado como Aquele que faz e está diretamente relacionado ao ato pelo qual os seres são criados e recebem vida.
O que significa compartilhar plenamente a única essência divina?
Ao reunirmos aquilo que as Escrituras revelam acerca do Pai, do Filho e do Espírito Santo, precisamos distinguir duas perguntas. “Quem é?” refere-se à Pessoa; “o que é?” refere-se à natureza ou essência.
As Escrituras distinguem pessoalmente o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai não é o Filho; o Filho não é o Espírito Santo; e o Espírito Santo não é o Pai. Ao mesmo tempo, as Escrituras apresentam o Pai como Deus, o Filho como Deus e o Espírito Santo como Deus.
A essência divina não deve ser imaginada como um corpo físico dividido em partes. O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três partes que, reunidas, formam Deus. Cada um é plenamente Deus. Tampouco estamos propondo a equação matemática de que três Pessoas sejam uma Pessoa. São três na categoria de Pessoa e um quanto à essência divina que Eles compartilham plenamente.
Também não se trata de uma única Pessoa exercendo três papéis ou aparecendo de três maneiras diferentes. As relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo são reais, e as Escrituras preservam essa distinção.
O Pai é plenamente Deus, o Filho é plenamente Deus e o Espírito Santo é plenamente Deus. São três Pessoas divinas realmente distintas que compartilham plenamente a mesma e única essência divina e eterna. A distinção pessoal não divide a essência divina, assim como a unidade de essência não elimina a distinção real entre Eles.
Hebreus 9:14 — O Espírito eterno e a obra da redenção
“Quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo!”
— Hebreus 9:14, NVI
A expressão διὰ πνεύματος αἰωνίου (dia pneumatos aiōniou) qualifica o Espírito como eterno. No mesmo versículo, Cristo Se oferece, Deus recebe a oferta e o Espírito é chamado eterno.
Hebreus 9:14 apresenta Pessoas realmente distintas atuando harmoniosamente na obra da redenção: Cristo Se oferece, Deus recebe a oferta e o Espírito é chamado eterno. Essa distinção pessoal está em perfeita harmonia com o testemunho bíblico de que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Eles não são partes que, reunidas, formam Deus; cada Pessoa é plenamente Deus, compartilhando plenamente a mesma e única essência divina e eterna.
Mateus 28:19 — Pai, Filho e Espírito Santo no mesmo nome batismal
“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”
— Mateus 28:19, NVI
No grego, εἰς τὸ ὄνομα está no singular: “em nome”. O singular, isoladamente, não pretende demonstrar toda a doutrina acerca da essência divina, mas a estrutura completa da ordem de Jesus é significativa: Pai, Filho e Espírito Santo são pessoalmente distintos e aparecem conjuntamente na fórmula batismal.
O Espírito Santo não aparece à margem da fórmula batismal. Ele é colocado pelo próprio Cristo juntamente com o Pai e o Filho no único “nome” em que os discípulos deveriam ser batizados.
2 Coríntios 13:13 — Pai, Filho e Espírito Santo na bênção apostólica
Paulo reúne na bênção apostólica “a graça do Senhor Jesus Cristo”, “o amor de Deus” e “a comunhão do Espírito Santo”. O termo κοινωνία (koinōnia) pode expressar comunhão, participação ou compartilhamento conforme o contexto.
O Senhor Jesus Cristo, Deus e o Espírito Santo aparecem distintamente e conjuntamente na bênção apostólica pronunciada sobre a Igreja. O fato de Paulo chamar o Pai de Deus nessa estrutura não autoriza apagar os textos que chamam o Filho de Deus ou identificam o Espírito Santo como Deus.
Mateus 12:31–32 — A blasfêmia contra o Espírito Santo
No contexto, Jesus havia realizado uma obra pelo Espírito de Deus, e Seus opositores atribuíram essa ação a Belzebu. Jesus então advertiu acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo.
A expressão grega ἡ τοῦ πνεύματος βλασφημία refere-se à blasfêmia contra o Espírito. O verbo βλασφημέω pode descrever fala injuriosa, difamatória ou blasfema conforme o contexto. Aqui não se trata de uma palavra acidental, mas de rejeição consciente da atuação divina.
A distinção entre falar contra o Filho e blasfemar contra o Espírito não estabelece uma hierarquia de natureza divina entre Eles. O contexto trata da responsabilidade diante da revelação e da resistência à obra de Deus.
Efésios 4:30 e Isaías 63:10 — O Espírito Santo pode ser entristecido
“Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.”
— Efésios 4:30, NVI
O verbo λυπέω significa entristecer ou causar tristeza. O contexto é moral e relacional: mentira, ira, furto, palavras destrutivas, amargura e outras condutas são apresentadas no ambiente da ordem para não entristecer o Espírito Santo.
Isaías 63:10 fornece um paralelo importante: Israel se rebelou e “entristeceu o seu Espírito Santo”. Assim, a linguagem de Efésios não aparece isoladamente.
Efésios 4:30 acrescenta mais uma evidência que esse ensino precisa enfrentar: as Escrituras não apresentam o Espírito Santo como uma “força ativa” que pode ser utilizada; apresentam-No como Aquele que pode ser entristecido.
Romanos 8:26–27 — O Espírito Santo ajuda, intercede e possui intenção
Paulo afirma que o próprio Espírito nos ajuda em nossa fraqueza e intercede por nós. A expressão αὐτὸ τὸ πνεῦμα ὑπερεντυγχάνει apresenta “o próprio Espírito” como sujeito da intercessão. O texto também fala do φρόνημα τοῦ πνεύματος, a intenção, disposição ou mente do Espírito.
O ensino de que o Espírito Santo é apenas uma “força ativa” impessoal precisa explicar por que as Escrituras apresentam o próprio Espírito intercedendo pelos santos e falam expressamente de Sua intenção. Romanos 8:26–27 não descreve uma força sendo utilizada por Deus; apresenta o Espírito Santo como Aquele que ajuda, intercede e possui intenção.
João 14–16 — O Espírito Santo ensina, faz lembrar, guia, convence e glorifica Cristo
Jesus promete outro Conselheiro, o Espírito Santo, enviado pelo Pai em Seu nome. Em João 14:26, Ele ensina e faz lembrar. Em João 15:26, testemunha acerca de Cristo. Em João 16:13, vem, guia à verdade, ouve, fala e anuncia. Em João 16:8–11, convence o mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo; e, em João 16:14, glorifica Cristo.
O termo παράκλητος (paraklētos) pode ser traduzido, conforme o contexto, como Conselheiro, Ajudador ou Advogado. O mesmo termo é aplicado a Jesus em 1 João 2:1. Não precisamos construir toda a personalidade do Espírito a partir de uma única palavra; o argumento é cumulativo.
O Espírito Santo não apenas concede poder aos servos de Deus. Segundo Jesus, Ele atua diretamente no coração e na consciência humana, convencendo o mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo e conduzindo os discípulos à verdade.
A obra do Espírito Santo está, portanto, profundamente relacionada à aplicação do propósito redentor. Ele confronta o pecador com sua verdadeira condição, conduz à verdade e glorifica Cristo.
Primeiro permitimos que as Escrituras descrevam o Espírito Santo. Depois formulamos nossa compreensão acerca dEle. Não podemos definir previamente o Espírito como uma força impessoal e depois utilizar essa definição para explicar como figurada toda passagem que apresente características incompatíveis com ela. A interpretação precisa surgir das evidências; as evidências não podem ser moldadas para preservar a interpretação.
Atos 16:6–7 — O Espírito Santo dirige a missão
Lucas relata que Paulo e seus companheiros foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar em determinada região e que o Espírito de Jesus não lhes permitiu seguir outro caminho. A passagem não explica o mecanismo dessa direção, e não precisamos acrescentá-lo.
A passagem é particularmente interessante porque o Espírito Santo aparece dirigindo pessoalmente a missão. Atos não apresenta o Espírito Santo como uma “força ativa” utilizada pelos discípulos. Apresenta-O como Aquele que chama os discípulos para uma obra, os envia, dirige seus passos e determina até mesmo os caminhos que não deveriam seguir.
Não são os discípulos que dirigem o Espírito; é o Espírito Santo que dirige os discípulos.
Atos 7:51 — O Espírito Santo pode ser resistido
Estêvão acusa seus ouvintes de sempre resistirem ao Espírito Santo, “como fizeram os seus antepassados”. O verbo ἀντιπίπτω comunica a ideia de resistir ou opor-se.
O contexto relaciona essa resistência à rejeição da revelação divina transmitida pelos profetas. Isso se harmoniza com Isaías 63:10, com Atos 28:25 e com 2 Samuel 23:2.
2 Pedro 1:20–21 — O Espírito Santo conduziu os profetas
“Pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.”
— 2 Pedro 1:21, NVI
Pedro contrasta a vontade humana com a origem divina da profecia. A expressão ὑπὸ πνεύματος ἁγίου φερόμενοι apresenta os homens sendo conduzidos pelo Espírito Santo enquanto falam da parte de Deus.
Não precisamos tentar provar a personalidade do Espírito por detalhes gramaticais secundários. A força da passagem está na declaração completa: os homens falavam da parte de Deus enquanto eram conduzidos pelo Espírito Santo.
Não é o profeta utilizando o Espírito; é o Espírito Santo conduzindo os homens que falam da parte de Deus.
Atos 15:28 — “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”
“Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes exigências necessárias.”
— Atos 15:28, NVI
A construção grega ἔδοξεν γὰρ τῷ πνεύματι τῷ ἁγίῳ καὶ ἡμῖν apresenta o Espírito Santo e os apóstolos na mesma declaração acerca daquilo que foi considerado apropriado. O verbo δοκέω pode expressar aquilo que parece adequado ou que foi considerado correto.
O Espírito Santo não aparece como uma energia que os apóstolos utilizaram para chegar à decisão. A decisão é apresentada como aquilo que “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”. A passagem acrescenta, portanto, uma evidência de Sua agência pessoal na direção da Igreja.
Atos 20:28 — O Espírito Santo constitui os responsáveis pelo rebanho
Paulo afirma que o Espírito Santo constituiu os presbíteros como supervisores para pastorearem o rebanho. O sujeito do verbo ἔθετο (etheto), de τίθημι, é o próprio Espírito Santo.
A contribuição específica da passagem é mostrar que o Espírito Santo age como sujeito pessoal e exerce direção sobre os servos de Deus. Ele chama, envia, dirige, participa das decisões e constitui aqueles que devem cuidar do rebanho.
1 Pedro 1:2; 1 Coríntios 6:11 e Efésios 2:18 — O Espírito Santo na obra da salvação
Pedro relaciona a eleição segundo a presciência de Deus Pai à santificação pelo Espírito e à obediência a Jesus Cristo. Paulo afirma que os cristãos foram lavados, santificados e justificados “em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus”. Em Efésios 2:18, declara que por meio de Cristo temos acesso ao Pai em um só Espírito.
Essas passagens preservam a distinção pessoal. O Pai não é o Filho; o Filho não é o Espírito Santo; e o Espírito Santo não é o Pai. Ao mesmo tempo, Eles aparecem relacionados à mesma obra da salvação.
O Espírito Santo atua na aplicação da obra da salvação àqueles que pertencem a Cristo. Ele não ocupa o lugar de Cristo nem realiza a obra sacrificial que pertence ao Filho. Cristo Se ofereceu e derramou Seu sangue; o Espírito Santo atua naqueles que são alcançados por essa obra, santificando, guiando e aplicando os benefícios da redenção.
1 Coríntios 3:16 e 6:19 — O santuário de Deus e o santuário do Espírito Santo
“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”
— 1 Coríntios 3:16, NVI
Em 1 Coríntios 3:16, Paulo chama os cristãos de ναὸς θεοῦ — “santuário de Deus” — e explica que o Espírito de Deus habita neles. Em 1 Coríntios 6:19, chama o corpo do cristão de “santuário do Espírito Santo”.
O mesmo apóstolo chama os cristãos de santuário de Deus e de santuário do Espírito Santo. Essa correspondência não precisa ser transformada, isoladamente, em toda a demonstração da divindade do Espírito, mas também não deve ser enfraquecida.
Efésios 2:22 acrescenta que os cristãos são edificados para se tornarem morada de Deus por Seu Espírito. A habitação do Espírito Santo no povo de Deus é apresentada em relação direta com a própria presença e habitação de Deus.
Ao mesmo tempo, 1 Coríntios 6:19 afirma que o Espírito Santo foi dado por Deus. Portanto, a passagem preserva a distinção pessoal. Fielmente às Escrituras, preservamos as duas verdades: o Espírito Santo é pessoalmente distinto do Pai e do Filho e, ao mesmo tempo, é apresentado como Deus.
O testemunho cumulativo das Escrituras acerca do Espírito Santo
Depois de examinarmos as passagens em seus respectivos contextos, não precisamos construir nossa conclusão a partir de uma palavra isolada, de um único verbo ou de um versículo separado do restante das Escrituras. É o conjunto das evidências que deve determinar nossa compreensão acerca do Espírito Santo.
Ao longo do Antigo e do Novo Testamento, o Espírito Santo fala, chama, envia, dirige, constitui, ensina, faz lembrar, testemunha, guia, ouve, anuncia, convence, glorifica Cristo, conhece as profundezas de Deus, distribui dons como quer, ajuda e intercede. Ele pode ser entristecido, resistido, alvo de mentira e de blasfêmia.
Repetidamente, as Escrituras atribuem ao Espírito Santo palavras que são apresentadas em outros contextos como palavras do próprio SENHOR. Atos 5:3–4 O identifica diretamente como Deus. Sua habitação é relacionada à habitação de Deus, Ele é chamado “Espírito eterno” e aparece relacionado à criação, à concessão da vida e à obra da salvação.
Distinção pessoal sem divisão da essência divina
Esse testemunho não nos permite confundir o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As Escrituras apresentam relações reais entre Eles. O Pai não é o Filho. O Filho não é o Espírito Santo. O Espírito Santo não é o Pai.
Mas essa distinção pessoal não nos autoriza a negar aquilo que as próprias Escrituras atribuem a cada um.
O Pai é plenamente Deus, o Filho é plenamente Deus e o Espírito Santo é plenamente Deus. São três Pessoas divinas realmente distintas que compartilham plenamente a mesma e única essência divina e eterna. A distinção pessoal não divide a essência divina, assim como a unidade de essência não elimina a distinção real entre Eles.
Não estamos dizendo que Eles sejam três partes que, reunidas, formam Deus. Cada um é plenamente Deus. Também não estamos dizendo que exista uma única Pessoa representando três papéis diferentes. As relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo são reais.
“Pessoa” responde à pergunta “quem?”, enquanto “essência” responde à pergunta “o que?”. São três Pessoas realmente distintas compartilhando plenamente a mesma e única essência divina e eterna.
Primeiro as Escrituras; depois o confronto doutrinário
Nossa investigação permitiu que as próprias Escrituras revelassem quem o Espírito Santo é. Não partimos de uma formulação doutrinária previamente estabelecida para determinar como os textos bíblicos deveriam ser compreendidos. Examinamos aquilo que as próprias Escrituras revelam acerca do Espírito Santo e permitimos que esse testemunho bíblico conduzisse nossa conclusão.
Somente agora colocamos diante desse conjunto de evidências o ensino das Testemunhas de Jeová que apresenta o Espírito Santo como uma “força ativa” impessoal. A ordem não pode ser invertida.
As Escrituras não estão no banco dos réus. Elas são o tribunal. O que está sendo julgado à luz delas são os ensinos das Testemunhas de Jeová.
Portanto, não cabe reinterpretar sucessivamente cada declaração pessoal acerca do Espírito Santo para fazê-la concordar com uma definição estabelecida anteriormente. É essa definição que precisa permanecer de pé diante de tudo aquilo que as Escrituras revelam acerca dEle.
Uma “força ativa” impessoal não explica adequadamente o testemunho cumulativo que encontramos. As Escrituras apresentam o Espírito Santo falando, conhecendo, querendo, ensinando, guiando, convencendo, intercedendo, chamando, enviando, dirigindo, santificando, distribuindo dons segundo Sua vontade, sendo entristecido e resistido, conduzindo os profetas e participando pessoalmente da obra da salvação.
Mais do que isso, as Escrituras atribuem a Ele palavras do SENHOR, relacionam Sua habitação à habitação de Deus e, de maneira particularmente direta em Atos 5:3–4, identificam o Espírito Santo como Deus.
Conclusão da Parte II
Depois de examinarmos o conjunto dessas evidências, a conclusão não depende de tradição religiosa nem de uma definição formulada previamente. Ela decorre do testemunho das próprias Escrituras.
O Espírito Santo não é apresentado como uma energia divina, uma influência impessoal ou uma simples “força ativa”. Ele é apresentado como uma Pessoa divina realmente distinta do Pai e do Filho, plenamente Deus, compartilhando com Eles a mesma e única essência divina e eterna.
O ensino das Testemunhas de Jeová que reduz o Espírito Santo a uma “força ativa” impessoal não permanece de pé diante do testemunho cumulativo das Escrituras.
E essa conclusão deve permanecer exatamente onde sempre deveria estar: subordinada à autoridade da Palavra de Deus. Se desejamos saber quem o Espírito Santo é, não devemos começar por aquilo que uma organização religiosa afirma acerca dEle. Devemos começar por aquilo que as próprias Escrituras revelam.
Referências bibliográficas e documentais
BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional (NVI). Biblica.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “O que é o espírito santo?” Perguntas Bíblicas Respondidas, artigo 81.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “O espírito santo é uma pessoa?” Despertai!, julho de 2006.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “Conheça melhor a Jeová.” Seja Feliz para Sempre! — Um Curso da Bíblia para Você, lição 7.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, verbete “Espírito”.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “Seja grato pelos tesouros não vistos.” A Sentinela — Edição de Estudo, maio de 2020.

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