ENSINOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ À PROVA DAS ESCRITURAS — PARTE I
Jesus Cristo: quem Ele é segundo as Escrituras?
Cleriston Bezerra
Quem é Jesus Cristo segundo as Escrituras? Ele pertence à criação ou é Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência? As Escrituras O identificam com o arcanjo Miguel ou apresentam uma identidade completamente diferente?
Nesta primeira parte da série, examinaremos essas questões permitindo que as próprias Escrituras estabeleçam a identidade de Cristo antes de colocarmos os ensinos das Testemunhas de Jeová à prova desse testemunho.
Este artigo faz parte da série “Os Ensinos das Testemunhas de Jeová à Prova das Escrituras”. O estudo foi dividido em partes, cada uma dedicada ao exame de um ensino específico à luz das Escrituras.
Introdução
“Ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.”
(1 Tessalonicenses 5:21 — NVI)
A fé cristã não deve repousar na autoridade de homens, instituições, tradições religiosas, pastores, teólogos, escritores ou organizações. Todo ensino precisa ser submetido à autoridade das Escrituras. Este artigo não pretende atacar pessoas nem questionar a sinceridade daqueles que pertencem às Testemunhas de Jeová. O objetivo é examinar doutrinas e interpretações à luz do texto bíblico.
A sinceridade religiosa, por mais respeitável que seja, não substitui o exame das Escrituras. Por isso, procuraremos considerar o contexto, comparar passagens relacionadas e recorrer ao hebraico e ao grego quando isso for realmente necessário. O mesmo rigor que aplicamos aos ensinos das Testemunhas de Jeová deve ser aplicado às nossas próprias interpretações.
Os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que lhes era ensinado correspondia à verdade. Esse será o princípio deste estudo.
Não são as Escrituras que precisam se ajustar aos ensinos de uma organização religiosa; são os ensinos de qualquer organização religiosa que precisam permanecer de pé diante das Escrituras.
As Escrituras não estão no banco dos réus. Elas são o tribunal. O que está sendo julgado à luz delas são os ensinos das Testemunhas de Jeová.
1. Quem é Jesus Cristo segundo as Escrituras?
Antes de confrontarmos qualquer formulação religiosa acerca de Jesus Cristo, permitiremos que as próprias Escrituras revelem quem Ele é. Examinaremos Sua relação com o Pai, Sua participação na criação, os títulos e atributos que Lhe são atribuídos, Sua distinção pessoal e Sua obra redentora. Somente depois colocaremos os ensinos religiosos diante desse testemunho bíblico.
Nossa investigação parte deste princípio:
Onde as Escrituras afirmam, afirmamos; onde distinguem, distinguimos; e onde não vão além, também não iremos além. A conclusão deve surgir do conjunto das evidências bíblicas, e não de uma formulação doutrinária imposta previamente aos textos.
João 1:1–3 — A Palavra estava com Deus e era Deus
“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.”
(João 1:1–3 — NVI)
João começa seu Evangelho antes da criação. Quando o princípio é mencionado, a Palavra já era. A expressão “estava com Deus” preserva a distinção pessoal; a declaração “era Deus” afirma aquilo que a Palavra era.
O grego de João 1:1c é καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος. A ausência do artigo antes de θεός não transforma automaticamente o substantivo em indefinido, como se João tivesse escrito “um deus”. Em construções predicativas, a ausência do artigo pode destacar qualidade ou natureza. O contexto é decisivo.
João 1:3 acrescenta um dado que não pode ser ignorado: todas as coisas que vieram à existência vieram por meio da Palavra. O texto não coloca a Palavra dentro do conjunto das coisas criadas; coloca-A do lado dAquele por meio de quem elas vieram a existir.
João 1:10 e 1:14 identificam essa Palavra com Aquele que entrou no mundo e Se fez carne: Jesus Cristo. Portanto, o prólogo não apresenta Cristo como parte da criação, mas como Aquele por meio de quem a criação veio à existência.
Colossenses 1:15–18 — “O primogênito de toda a criação”
A expressão “primogênito de toda a criação” não pode ser interpretada isoladamente. O termo grego πρωτότοκος (prōtótokos) pode indicar prioridade cronológica em determinados contextos, mas também posição, dignidade e supremacia. O próprio contexto precisa decidir.
O Salmo 89:27 oferece um exemplo importante: o rei davídico é estabelecido como “primogênito”, isto é, como o mais exaltado entre os reis da terra. Em Colossenses, Paulo explica imediatamente por que o Filho é o primogênito de toda a criação: todas as coisas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, tronos, soberanias, poderes e autoridades foram criadas nEle, por meio dEle e para Ele.
A expressão grega τὰ πάντα significa “todas as coisas”. A palavra “outras”, utilizada pela Tradução do Novo Mundo em sua interpretação da passagem, não está no texto grego. Palavras podem ser acrescentadas em tradução quando necessárias para a gramática ou clareza, mas aqui o acréscimo interfere diretamente na questão teológica, pois pressupõe que Cristo pertence ao conjunto da criação.
Paulo prossegue: Ele é antes de todas as coisas e nEle tudo subsiste. O ensino das Testemunhas de Jeová que coloca Cristo dentro da criação precisa explicar como permanece de pé diante de um contexto que apresenta todas as coisas criadas como existentes nEle, por meio dEle e para Ele.
A conclusão do próprio contexto aparece no versículo 18: Cristo deve ter a supremacia em tudo. Assim, “primogênito” não O apresenta como o primeiro membro da criação, mas como o Supremo sobre ela.
Apocalipse 3:14 — “O princípio da criação de Deus”
O termo grego ἀρχή (archē) possui campo semântico amplo e pode significar começo, origem, princípio ou autoridade, conforme o contexto. Portanto, seria incorreto afirmar que ele jamais pode significar “começo”. Mas também seria incorreto transformar automaticamente “princípio da criação de Deus” em “primeira criatura de Deus”. O texto não diz isso.
O próprio Apocalipse utiliza “Princípio” em títulos elevados. Em Apocalipse 21:6 e 22:13, “Princípio” aparece ao lado de “Alfa e Ômega” e “Fim”. Ser o princípio não significa necessariamente ter tido um princípio.
Quando Apocalipse 3:14 é lido com João 1:3, Colossenses 1:16–17 e Hebreus 1:10–12, a interpretação que coloca Cristo entre as criaturas não se sustenta. A passagem deve ser compreendida dentro do testemunho mais amplo acerca de Cristo como origem e Soberano da criação.
João 20:28 — “Senhor meu e Deus meu!”
“Disse-lhe Tomé: ‘Senhor meu e Deus meu!’”
(João 20:28 — NVI)
O grego é ὁ κύριός μου καὶ ὁ θεός μου. João não apresenta as palavras de Tomé como uma exclamação lançada ao ar. O texto afirma que Tomé respondeu e disse a Jesus. O destinatário da declaração é Cristo.
Jesus não repreende Tomé por blasfêmia nem corrige sua confissão. Ao contrário, responde acerca da fé: “Porque me viu, você creu; felizes os que não viram e creram”.
Pouco depois, João declara o propósito de seu Evangelho.
João 1:1 e João 20:28 formam uma moldura coerente: no início, a Palavra era Deus; próximo da conclusão, Tomé dirige-se a Jesus como “meu Deus”. A distinção entre Pai e Filho permanece real, mas essa distinção não autoriza negar aquilo que João registra acerca do Filho.
Hebreus 1:5–12 — O Filho, os anjos e o Criador
Hebreus 1 estabelece deliberadamente uma diferença entre o Filho e os anjos. A pergunta “A qual dos anjos Deus alguma vez disse: ‘Tu és meu Filho’?” já mostra que o autor não está simplesmente apresentando Jesus como o maior de uma classe angelical.
Em Hebreus 1:8, o texto introduz a declaração “a respeito do Filho” e prossegue com “O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre”. Existe discussão sintática sobre a possibilidade de traduzir a construção como “Deus é o teu trono”. Essa alternativa não deve ser escondida. Contudo, sua mera existência não torna as leituras igualmente fortes.
O contexto favorece a leitura vocativa. O Filho é contrastado com os anjos, recebe um trono eterno e, em Hebreus 1:10–12, recebe palavras do Salmo 102 que, no contexto veterotestamentário, descrevem o SENHOR como Criador dos céus e da terra e como Aquele que permanece quando a criação perece.
Hebreus 1:9 também diz “Deus, o teu Deus”. Nós não negamos essa verdade. O Pai é o Deus do Filho em Sua relação pessoal e redentora. Mas o mesmo contexto chama o Filho de Deus. Não temos autoridade para aceitar uma declaração inspirada e rejeitar a outra.
É o próprio Pai quem chama o Filho de Deus. Se reconhecemos as Escrituras como autoridade, quem somos nós para negar um fato tão sublime declarado pelo próprio Pai acerca de Seu Filho?
Hebreus 1:6 — Os anjos adoram o Filho
O verbo grego προσκυνέω (proskynéō) não significa especificamente “adorar” em todas as ocorrências do Novo Testamento. Seu campo semântico pode incluir prostrar-se, prestar reverência ou adorar, e o contexto determina o sentido.
Em Hebreus 1:6, porém, o contexto favorece claramente a adoração: o Filho é colocado acima dos anjos; os próprios anjos recebem a ordem de adorá-Lo; o Pai dirige-Se ao Filho como “Deus”; e, logo depois, são aplicadas ao Filho as palavras do Salmo 102 acerca do Criador dos céus e da terra.
Portanto, neste contexto, não reduziremos a declaração a mera homenagem. Os anjos recebem a ordem de adorar o Filho.
Jesus é realmente o arcanjo Miguel?
As Escrituras chamam Miguel de “um dos príncipes supremos”, “o grande príncipe” e “o arcanjo Miguel”. Em nenhum desses textos ele é identificado como Jesus Cristo.
Judas 9 chama Miguel de arcanjo. 1 Tessalonicenses 4:16 afirma que o Senhor descerá com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, mas possuir ou ser acompanhado por uma voz de arcanjo não identifica gramaticalmente o Senhor com o arcanjo, assim como a menção da trombeta de Deus não transforma o Senhor na própria trombeta.
Miguel nunca é apresentado como Criador. Jesus, ao contrário, é apresentado em João 1:3, Colossenses 1:16 e Hebreus 1:10–12 como Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência.
Miguel nunca é apresentado como Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas; Jesus, sim.
As Escrituras identificam Miguel como arcanjo, mas jamais o apresentam como Criador de todas as coisas. Apresentam Jesus como Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas, mas jamais O identificam como o arcanjo Miguel. Transformar essas duas personagens em uma única pessoa exige, portanto, uma identificação que o texto bíblico não declara.
João 14:28 — “O Pai é maior do que Eu”
Jesus declarou que o Pai é maior do que Ele. Recebemos essa declaração sem reduzi-la. A questão é em que sentido o Pai é maior no contexto da missão do Filho.
João 17:5 mostra o Filho falando da glória que possuía com o Pai antes que o mundo existisse. Filipenses 2 apresenta Cristo existindo em forma de Deus e voluntariamente assumindo forma de servo, tornando-Se homem e humilhando-Se até a morte.
Cristo não deixou de ser quem era ao tornar-Se homem; Ele assumiu aquilo que antes não era. Sem deixar Sua natureza divina, assumiu plenamente a natureza humana e a condição de servo.
A submissão do Filho é real e não deve ser apagada. 1 Coríntios 15:28 mostra que a ordem relacional entre Pai e Filho não é simplesmente encerrada após a ressurreição. Entretanto, submissão funcional e ordem relacional não são sinônimos de inferioridade de essência.
João 17:5 — A glória antes da existência do mundo
“E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.”
(João 17:5 — NVI)
A passagem demonstra preexistência pessoal. Jesus não fala apenas de um plano abstrato na mente de Deus, mas da glória que tinha com o Pai antes da existência do mundo.
A preexistência, considerada isoladamente, não resolve toda a questão da eternidade. Por isso, deve ser lida com João 1:3, Colossenses 1:16–17 e Hebreus 1:10–12. Nessas passagens, Cristo não é colocado entre as coisas que vieram à existência, mas como Aquele por meio de quem elas vieram a existir.
João 8:58 reforça a singularidade de Sua existência: “antes de Abraão nascer, Eu Sou”. O grego contrasta o vir-a-ser de Abraão (γενέσθαι) com a declaração ἐγὼ εἰμί de Cristo. Não precisamos alegar uma identidade verbal simplista com Êxodo 3:14 para reconhecer a força do contraste.
Nenhuma criatura fiel recebe a identidade e as prerrogativas atribuídas a Cristo
Apocalipse 19:10 e 22:9 apresentam anjos fiéis recusando adoração e direcionando o adorador a Deus. Miguel nunca reivindica ser Deus, nunca é chamado Criador e nunca é apresentado como possuidor da glória que o Filho tinha com o Pai antes da existência do mundo.
Jesus, porém, é chamado Deus, recebe adoração no contexto de Hebreus 1, dá vida, julga, possui glória anterior ao mundo e é apresentado como Criador.
Nenhuma criatura fiel a Deus é legitimamente apresentada recebendo para si a identidade, a glória e as prerrogativas divinas que encontramos atribuídas a Cristo.
Os anjos são apresentados como servos de Deus; Cristo é apresentado como Aquele por meio de quem os próprios seres celestiais vieram à existência.
João 10:30–39 e Salmo 82 — “Eu e o Pai somos um”
Jesus declara: “Eu e o Pai somos um”. O grego utiliza ἕν (hén), neutro, com o verbo no plural ἐσμεν. A construção não afirma que Pai e Filho sejam a mesma Pessoa; preserva distinção e unidade.
O contexto imediato fala das ovelhas guardadas na mão de Jesus e na mão do Pai. Os opositores entendem Sua declaração como blasfêmia e dizem que Ele, sendo homem, Se apresenta como Deus. A interpretação dos opositores não é, por si só, autoridade; por isso, devemos observar a resposta de Jesus.
Jesus cita o Salmo 82: “vocês são deuses”. Há discussão sobre se o Salmo se refere a juízes humanos ou a seres do conselho celestial. Não precisamos resolver essa questão para compreender o argumento. Em qualquer leitura, esses “deuses” estão sob o julgamento do Altíssimo e não compartilham Sua posição.
Jesus não está dizendo: “sou apenas mais um deus”. Seu argumento vai do menor ao maior: se a Escritura empregou esse termo para aqueles a quem veio a palavra de Deus, como acusar de blasfêmia Aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo por dizer “Sou Filho de Deus”?
A sequência culmina em “o Pai está em mim e eu no Pai”. O Salmo 82 funciona como resposta jurídica à acusação de blasfêmia; não reduz Cristo à categoria de um ser criado chamado “deus”.
O unigênito e o significado de monogenḗs
O termo grego μονογενής (monogenḗs) é usado para aquilo que é único, singular, um só de sua espécie ou filho único em relação especial. Ele não significa automaticamente “criado”.
Hebreus 11:17 chama Isaque de monogenḗs de Abraão, embora Abraão também tivesse Ismael. O ponto é a singularidade de Isaque como filho da promessa. Portanto, transformar “unigênito” em “primeira criatura” exige uma conclusão que o termo, por si só, não fornece.
Mesmo nas discussões históricas sobre “gerado”, gerar e criar não são conceitos equivalentes. O texto precisa determinar a relação; a etimologia isolada não pode substituir a exegese.
Provérbios 8:22 — A Sabedoria personificada é Jesus?
Antes de discutir se o verbo hebraico קָנָה (qānâ) deve ser traduzido como “possuir”, “adquirir” ou “criar” em Provérbios 8:22, existe uma pergunta anterior e decisiva: onde o capítulo identifica a Sabedoria personificada como Jesus Cristo?
Ele não o faz. Provérbios 8 não utiliza os nomes Jesus Cristo, Messias ou Filho de Deus para identificar a personagem poética.
A literatura sapiencial personifica a sabedoria. Em Provérbios 1, ela clama nas ruas; em Provérbios 9, constrói uma casa e prepara um banquete. No mesmo capítulo, a insensatez também é personificada como mulher. A personificação literária não pode ser automaticamente transformada em identificação ontológica.
1 Coríntios 1:24 chama Cristo de “poder de Deus e sabedoria de Deus”. Essa declaração é verdadeira, mas não estabelece que cada palavra pronunciada pela Sabedoria personificada de Provérbios 8 seja uma biografia literal da origem de Cristo.
Mesmo concedendo, para fins lexicais, a tradução “criou” para a Sabedoria personificada, isso não identificaria essa figura com Cristo. O primeiro elemento necessário ao argumento — a identificação textual da Sabedoria de Provérbios 8 com Jesus — não é afirmado pelo texto.
Provérbios 8:22 não constitui evidência de que Jesus Cristo foi criado, porque o primeiro elemento necessário para esse argumento — a identificação da Sabedoria personificada com Jesus — não é afirmado pelo texto.
João 17:3 — “O único Deus verdadeiro”
Jesus chama o Pai de “o único Deus verdadeiro”. Não enfraquecemos essa declaração. O ponto é verificar se o versículo afirma aquilo que o ensino das Testemunhas de Jeová conclui a partir dele.
O texto não diz que somente o Pai possui a essência divina, não chama Jesus de criatura e não apresenta o Filho como um “deus” verdadeiro de categoria inferior. Essas conclusões precisam ser demonstradas; não podem ser inseridas na frase.
No mesmo contexto, Jesus fala da glória que possuía com o Pai antes da existência do mundo. No mesmo Evangelho, João declara que a Palavra era Deus e registra Tomé chamando Jesus de “meu Deus”.
As declarações bíblicas acerca do único Deus verdadeiro contrastam o Deus verdadeiro com os falsos deuses e ídolos. Não devem ser transformadas em uma oposição entre o Pai e o Filho que o próprio contexto joanino não estabelece.
1 Coríntios 8:5–6 — Um só Deus e um só Senhor
1 Coríntios 8:5–6 confirma a necessidade de cautela: Paulo fala de muitos chamados deuses e senhores, e então declara “um só Deus, o Pai” e “um só Senhor, Jesus Cristo”.
Se “um só Deus” fosse usado para excluir Cristo de toda participação na realidade divina, a mesma lógica faria “um só Senhor” excluir o Pai da condição de Senhor. O raciocínio é inadequado.
1 João 5:20 — “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”
O grego apresenta a sequência: ἐν τῷ υἱῷ αὐτοῦ Ἰησοῦ Χριστῷ. οὗτός ἐστιν ὁ ἀληθινὸς θεὸς καὶ ζωὴ αἰώνιος — “em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.
O pronome οὗτος não precisa, em todos os contextos, referir-se obrigatoriamente ao substantivo imediatamente anterior. Contudo, o antecedente mais próximo é Jesus Cristo, e essa é a leitura sintaticamente natural.
O contexto joanino reforça essa leitura porque “vida eterna” é fortemente associada ao Filho. 1 João 1:2 fala da vida eterna que estava com o Pai e foi manifestada; João 1:4 afirma que nEle estava a vida; João 11:25 registra Jesus dizendo “Eu sou a ressurreição e a vida”.
A existência de uma leitura alternativa que remeta o pronome ao Pai deve ser reconhecida, mas não pode ser tratada como se anulasse a força gramatical e contextual da referência a Cristo. O ensino das Testemunhas de Jeová que apresenta Jesus como um “deus” criado enfrenta ainda a conclusão imediata do capítulo, que contrasta o verdadeiro Deus com os ídolos.
Tito 2:13 — “Nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”
O grego de Tito 2:13 contém uma única construção: τοῦ μεγάλου θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ. O artigo definido aparece antes de “Deus” e não é repetido antes de “Salvador”, enquanto “Jesus Cristo” identifica naturalmente o referente dos dois títulos.
O versículo seguinte prossegue falando daquele que “Se entregou por nós”, claramente Jesus. A leitura natural, portanto, é “nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
A distinção entre Pai e Filho não é negada por essa construção. O mesmo conjunto de escritos pode chamar o Pai de Salvador e Jesus de Salvador sem confundir as Pessoas.
Romanos 9:5 — “Deus acima de todos”
A sequência grega é contínua: ὁ Χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα, ὁ ὢν ἐπὶ πάντων θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας. O referente imediatamente apresentado é Cristo; em seguida vem a expressão “segundo a carne” e então “o que é sobre todos, Deus bendito para sempre”.
Existe uma interpretação que introduz uma ruptura de pontuação após “segundo a carne” e lê a parte final como doxologia dirigida ao Pai. Os manuscritos mais antigos não possuíam nossa pontuação moderna, mas isso não prova a ruptura; a pontuação deve refletir a sintaxe e o contexto.
A leitura contínua não exige mudança de sujeito. Para transformar a frase final em doxologia ao Pai é necessário introduzir uma mudança de referente sem que “Pai” seja nomeado como novo sujeito.
Portanto, a leitura natural apresenta Cristo segundo Sua humanidade e, em seguida, como “Deus acima de todos, bendito para sempre”. A existência de uma alternativa interpretativa não lhe concede automaticamente o mesmo peso exegético.
Filipenses 2:5–8 — Forma de Deus e forma de servo
Paulo descreve Cristo como ἐν μορφῇ θεοῦ ὑπάρχων — existindo em forma de Deus. Em seguida, afirma que Ele tomou μορφὴν δούλου — forma de servo.
O mesmo termo μορφή aparece nas duas expressões. Não é coerente tratar “forma de Deus” como aparência irreal e “forma de servo” como realidade plena. O movimento do texto é descendente: Cristo existe em forma de Deus, assume forma de servo, torna-Se semelhante aos homens e humilha-Se até a morte.
A expressão “esvaziou-Se” é explicada pelo próprio texto: Ele o fez tomando a forma de servo e tornando-Se humano. Paulo não diz que Cristo Se esvaziou de Sua divindade ou deixou de ser quem era.
O texto não apresenta um ser criado tentando subir à igualdade com Deus. Apresenta Cristo em forma de Deus e voluntariamente descendo à condição de servo.
Cristo não deixou de ser quem era ao tornar-Se homem; Ele assumiu aquilo que antes não era. Sem deixar Sua natureza divina, assumiu plenamente a natureza humana e a condição de servo.
João 5:19–23,26 — O Filho faz aquilo que o Pai faz
João 5:19 não deve ser interrompido na frase “o Filho não pode fazer nada de Si mesmo”. Jesus prossegue: “só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz”.
Essa segunda parte é decisiva. Jesus não descreve incapacidade criatural, mas perfeita correspondência de ação com o Pai. O Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida; o Filho também dá vida a quem Ele quer. O Pai confiou todo julgamento ao Filho, para que todos honrem o Filho como honram o Pai.
O ensino das Testemunhas de Jeová que coloca Jesus entre as criaturas precisa permanecer de pé diante da declaração de que o Filho faz aquilo que o Pai faz e de que todos devem honrar o Filho como honram o Pai.
João 5:26 acrescenta que, assim como o Pai tem vida em Si mesmo, concedeu ao Filho ter vida em Si mesmo. O verbo “concedeu” descreve relação entre Pai e Filho; não significa “criou”. O contexto fala de vida, autoridade e julgamento, não da criação do Filho.
Marcos 13:32 — “Nem o Filho sabe”
Jesus afirma que ninguém sabe o dia ou a hora, nem os anjos, nem o Filho, somente o Pai. Não devemos enfraquecer essa declaração.
A encarnação foi real. Lucas 2:52 afirma que Jesus crescia em sabedoria. Filipenses 2 mostra que Ele assumiu verdadeiramente a condição de servo e a natureza humana. A teologia cristã não precisa fingir que a humanidade de Cristo era aparente.
O mesmo Novo Testamento atribui a Jesus conhecimento extraordinário: Ele sabia o que havia no homem e Pedro pôde dizer-Lhe “Senhor, tu sabes todas as coisas”. A Escritura fala do único Cristo segundo Sua verdadeira condição humana e também segundo Sua natureza divina.
O ensino das Testemunhas de Jeová utiliza a limitação declarada em Marcos 13:32 para negar a natureza divina do Filho. Esse ensino é que precisa ser colocado à prova diante do conjunto das Escrituras. Uma declaração sobre a condição assumida na encarnação não pode ser isolada para redefinir toda a identidade de Cristo.
João 20:17 — “Meu Pai e Pai de vocês, meu Deus e Deus de vocês”
Depois da ressurreição, Jesus chama o Pai de “meu Deus”. Nós aceitamos plenamente essa verdade e não tentamos fazê-la desaparecer.
Mas o mesmo capítulo registra Tomé dirigindo-se a Jesus como “Senhor meu e Deus meu”. João preserva as duas declarações. Uma não anula a outra.
Hebreus 1:8–9 apresenta a mesma realidade: o Filho é chamado “Deus” e, no mesmo contexto, aparece a expressão “Deus, o teu Deus”. A distinção e a relação entre Pai e Filho não eliminam aquilo que as Escrituras afirmam acerca da natureza do Filho.
Se cremos quando o Filho chama o Pai de Deus, também devemos crer quando as Escrituras chamam o Filho de Deus. Não temos autoridade para aceitar uma declaração inspirada e rejeitar a outra.
1 Coríntios 15:27–28 — A submissão do Filho
A submissão do Filho ao Pai é uma verdade das Escrituras; a afirmação de que o Filho é uma criatura, não. 1 Coríntios 15:28 ensina a primeira, mas não ensina a segunda.
O contexto trata do reinado messiânico, da ressurreição, da derrota de todos os inimigos e, por fim, da morte. Todas as coisas são submetidas a Cristo, com a explícita exceção dAquele que Lhe submeteu tudo. Na consumação, o próprio Filho Se sujeita ao Pai.
Isso impede que reduzamos toda submissão do Filho apenas ao período de Sua vida terrena. A ordem relacional permanece real. Contudo, a submissão não é definida por Paulo como prova de uma natureza criada.
Ao contrário, o mesmo testemunho apostólico apresenta o Filho como Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência. Portanto, o que deve ser colocado à prova das Escrituras é o ensino das Testemunhas de Jeová que transforma a submissão do Filho em argumento para negar Sua natureza divina.
Marcos 10:18 — “Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus”
Jesus pergunta ao homem que O chamou de “Bom Mestre”: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus”. A afirmação de que Deus é absolutamente bom é verdade bíblica e não está à prova.
O texto, porém, não diz “Eu não sou bom”, “Eu não sou Deus” ou “somente o Pai é bom”. A pergunta de Jesus força o interlocutor a considerar a implicação do título que empregou.
Em João 10:11, Jesus chama a Si mesmo de “o bom pastor”. O Novo Testamento também O apresenta sem pecado. Portanto, Marcos 10:18 não pode ser transformado em uma negação explícita da bondade ou da natureza divina de Cristo.
O que está à prova das Escrituras é o ensino das Testemunhas de Jeová que utiliza essa pergunta de Jesus para negar Sua natureza divina.
Isaías 9:6–7 — O Filho chamado “Deus Poderoso”
“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”
(Isaías 9:6 — NVI)
O título hebraico traduzido por “Deus Poderoso” é אֵל גִּבּוֹר (’El Gibbôr). A importância dessa expressão aumenta quando observamos Isaías 10:21, onde o mesmo título é aplicado ao próprio Deus.
Portanto, o ensino que tenta transformar “Deus Poderoso” em uma categoria de divindade inferior precisa demonstrar essa distinção a partir do texto. Isaías não diz “um deus inferior” nem “um deus criado”.
O versículo seguinte descreve um governo crescente e uma paz sem fim sobre o trono de Davi. O Filho prometido recebe títulos e atributos que ultrapassam a descrição de um governante meramente humano.
Isaías 40:3 — Preparar o caminho do SENHOR
Isaías anuncia uma voz clamando no deserto para preparar o caminho do SENHOR. O texto hebraico utiliza o nome divino representado pelo tetragrama יהוה.
Os quatro Evangelhos relacionam essa profecia a João Batista: Mateus 3:1–3, Marcos 1:3, Lucas 3:4–6 e João 1:23. João prepara o caminho para Jesus.
A sequência é direta: Isaías 40:3 fala da preparação do caminho do SENHOR; os Evangelhos apresentam João Batista preparando o caminho para Jesus. Isso não significa que Jesus seja a mesma Pessoa que o Pai. Significa que os autores do Novo Testamento aplicam a Jesus uma profecia centrada na vinda do SENHOR.
João 12:41 e Isaías 6 — De quem era a glória que Isaías viu?
Isaías 6 apresenta o profeta contemplando o Senhor em um trono alto e exaltado, enquanto os serafins proclamam: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; a terra inteira está cheia da sua glória”.
João 12 explica a incredulidade de muitos diante dos sinais realizados por Jesus. O evangelista cita Isaías 53:1 e, em seguida, Isaías 6:10. Depois afirma que Isaías disse essas coisas porque viu a glória de Jesus e falou sobre Ele.
A conexão é estabelecida pelo próprio evangelista: Isaías contempla a glória do SENHOR; João utiliza essa visão no contexto da rejeição de Cristo e afirma que Isaías viu a glória de Jesus.
Isso não confunde o Filho com o Pai. João preserva claramente a distinção entre ambos. Entretanto, essa distinção pessoal não permite colocar o Filho entre as criaturas quando o próprio evangelista relaciona Sua glória à visão majestosa de Isaías 6.
1 Coríntios 11:3 — “O cabeça de Cristo é Deus”
“Quero, porém, que entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus.”
(1 Coríntios 11:3 — NVI)
Nós aceitamos integralmente essa declaração. Deus é o cabeça de Cristo. O que está à prova é o ensino das Testemunhas de Jeová que utiliza essa relação para negar que o Filho compartilhe da mesma essência divina e eterna do Pai.
O termo grego κεφαλή (kephalē) significa “cabeça”. Paulo estabelece relações entre Cristo e o homem, entre o homem e a mulher e entre Deus e Cristo. O versículo não diz que Cristo foi criado, que possui natureza criada ou que pertence à categoria das criaturas.
A própria estrutura do versículo impede transformar automaticamente relação de cabeça em inferioridade de natureza. Homem e mulher compartilham da mesma natureza humana. A relação estabelecida por Paulo não torna a mulher menos humana do que o homem.
Portanto, ordem relacional não é sinônimo de inferioridade de essência.
O mesmo Paulo apresenta Cristo, em Colossenses 1, como Aquele em quem, por meio de quem e para quem todas as coisas foram criadas. Assim, quando Paulo afirma que “o cabeça de Cristo é Deus”, não temos autorização para transformar essa relação em uma declaração de que Cristo pertence à criação.
Paulo afirma a relação entre o Pai e o Filho; o ensino de que essa relação torna o Filho uma criatura não vem de Paulo.
O que significa compartilhar plenamente a mesma e única essência divina?
As Escrituras distinguem claramente o Pai do Filho. O Pai não é o Filho, e o Filho não é o Pai. Essa distinção pessoal aparece repetidamente nas palavras e ações de Jesus, em Sua relação com o Pai e nas passagens em que ambos aparecem simultaneamente.
Entretanto, distinção pessoal não significa diferença de natureza ou de essência. As Escrituras que distinguem o Pai do Filho são as mesmas que apresentam o Filho como Deus, atribuem a Ele obras do Criador, eternidade, glória divina e prerrogativas que pertencem à divindade.
Para compreender corretamente essas verdades, é importante distinguir Pessoa de essência. Pessoa responde à pergunta “quem é?”; essência responde à pergunta “o que é?”.
O Pai e o Filho são Pessoas realmente distintas. Quando consideramos o testemunho das Escrituras acerca do Espírito Santo, verificamos que Ele também é pessoalmente distinto do Pai e do Filho. Entretanto, essa distinção entre Eles não significa que existam três essências divinas separadas.
O Pai é plenamente Deus, o Filho é plenamente Deus e o Espírito Santo é plenamente Deus. São três Pessoas divinas realmente distintas que compartilham plenamente a mesma e única essência divina e eterna.
A essência divina não deve ser imaginada como uma realidade material dividida em partes. O Pai não possui uma parte da divindade, o Filho outra e o Espírito Santo uma terceira, como se os três precisassem ser reunidos para formar Deus. Cada um é plenamente Deus, compartilhando plenamente a mesma e única essência divina.
Também não estamos dizendo que uma única Pessoa apareça ora como Pai, ora como Filho e ora como Espírito Santo. As distinções pessoais reveladas nas Escrituras são reais. O Filho fala com o Pai, é enviado pelo Pai e retorna ao Pai. O Pai ama o Filho. O Espírito Santo é enviado e atua pessoalmente na realização do propósito divino. A unidade de essência não elimina a distinção entre Eles.
Da mesma forma, não estamos propondo uma contradição matemática, como se três Pessoas fossem uma Pessoa. São três quanto à categoria de Pessoa e um quanto à essência divina que Eles compartilham plenamente.
A distinção pessoal entre o Pai e o Filho não significa diferença de natureza ou de essência. A distinção responde à pergunta sobre quem Eles são; a essência responde à pergunta sobre o que Eles são. Por isso, reconhecer a distinção entre o Pai e o Filho não exige diminuir aquilo que as Escrituras revelam acerca da natureza divina do Filho.
Quando Jesus Se submete ao Pai, é enviado por Ele, ora a Ele ou chama o Pai de Seu Deus, essas declarações devem ser preservadas exatamente como estão. Elas revelam relações pessoais reais. Ao mesmo tempo, não podem ser utilizadas para apagar as passagens que apresentam o Filho como Deus e Criador. Relação pessoal não é definição de essência.
Assim, quando as Escrituras apresentam o Pai como Deus e o Filho como Deus, não precisamos eliminar uma declaração para preservar a outra. Devemos permitir que ambas permaneçam juntas, juntamente com todas as passagens que distinguem pessoalmente o Pai do Filho.
O testemunho acerca do Espírito Santo completa o mesmo quadro bíblico: distinção real entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sem divisão da mesma e única essência divina que Eles compartilham plenamente.
Essa formulação não é imposta aos textos como ponto de partida. Ela surge depois que as próprias Escrituras são examinadas. Onde as Escrituras afirmam, afirmamos; onde distinguem, distinguimos; e onde não vão além, também não iremos além.
O testemunho cumulativo das Escrituras acerca de Cristo
Depois de examinarmos individualmente as principais passagens, é necessário contemplar o quadro que elas formam quando colocadas lado a lado. Uma doutrina não deve ser construída isolando um versículo e fazendo com que ele governe todos os demais. Toda a evidência das Escrituras precisa ser considerada.
João 1:3 coloca Cristo do lado dAquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência. Colossenses 1 apresenta todas as coisas, inclusive os poderes celestiais, como criadas nEle, por meio dEle e para Ele. Hebreus 1 aplica ao Filho a linguagem do Salmo 102 acerca do Criador.
As Escrituras chamam Jesus de Deus: Tomé diz “Senhor meu e Deus meu”; Tito 2:13 apresenta “nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”; Romanos 9:5, em sua leitura contínua, apresenta Cristo como “Deus acima de todos”; 1 João 5:20 possui uma leitura gramatical e contextual forte em referência a Cristo como “o verdadeiro Deus e a vida eterna”; Hebreus 1:8 dirige ao Filho a declaração “ó Deus”.
O Filho recebe adoração dos anjos em Hebreus 1:6. Isaías 40:3 fala da preparação do caminho do SENHOR, e os Evangelhos aplicam essa profecia ao caminho preparado para Jesus. Isaías 6 apresenta a glória do SENHOR, e João afirma que Isaías viu a glória de Jesus.
Ao mesmo tempo, o Filho é pessoalmente distinto do Pai. O Pai O envia; o Filho obedece, ora ao Pai, chama o Pai de Seu Deus e Se submete a Ele. Nós aceitamos todas essas declarações. A divindade do Filho não exige apagar Sua distinção pessoal nem Sua verdadeira submissão.
O Pai é plenamente Deus, o Filho é plenamente Deus e o Espírito Santo é plenamente Deus. São três Pessoas divinas realmente distintas que compartilham plenamente a mesma e única essência divina e eterna. A distinção pessoal não divide a essência divina, assim como a unidade de essência não elimina a distinção real entre Eles.
Conclusão da Parte I
Não estamos colocando as Escrituras à prova. João 14:28, Marcos 13:32, João 20:17, 1 Coríntios 11:3 e 1 Coríntios 15:28 não estão à prova. Nós recebemos essas declarações como Palavra de Deus.
O que está sendo colocado à prova é a interpretação das Testemunhas de Jeová que utiliza essas passagens para colocar o Filho entre as criaturas e negar que Ele compartilhe da mesma essência divina e eterna do Pai.
As criaturas vêm à existência. Cristo é apresentado como Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência. Os anjos servem; Cristo é adorado pelos anjos. Miguel é chamado arcanjo; Jesus jamais é chamado Miguel. Miguel nunca é apresentado como Criador; Jesus é apresentado como Aquele por meio de quem os próprios seres celestiais foram criados.
Os profetas contemplam a glória do SENHOR; João declara que Isaías viu a glória de Jesus. O SENHOR é apresentado como Criador no Salmo 102; Hebreus aplica essas palavras ao Filho. O Pai é chamado Deus pelo Filho; o Filho também é chamado Deus pelas Escrituras.
O ensino das Testemunhas de Jeová que coloca Jesus Cristo entre as criaturas não permanece de pé diante do testemunho cumulativo das Escrituras.
Com isso, encerramos esta primeira grande parte da investigação. A próxima seção tratará da Pessoa divina do Espírito Santo, aplicando o mesmo princípio: as Escrituras permanecem como autoridade, e o ensino religioso é que deve ser examinado por elas.
Referências bibliográficas e documentais
BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional (NVI). São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada — Bíblia de Estudo. Utilizada para consulta das traduções e notas explicativas apresentadas pela própria organização.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “João 1:1 — ‘No princípio era a Palavra’”. JW.ORG. Publicação oficial consultada para documentar a interpretação da expressão “a Palavra era um deus” e o entendimento da organização acerca da origem de Cristo.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Tradução do Novo Mundo — Bíblia de Estudo, Colossenses 1:15–17. JW.ORG. Consultada para documentar o emprego de “todas as outras coisas” e a interpretação de Cristo como o primeiro a ser criado por Deus.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “Jesus é o arcanjo Miguel?” A Sentinela, abril de 2010. JW.ORG. Consultada para documentar a identificação feita pela organização entre Jesus Cristo e o arcanjo Miguel.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. “É correto adorar a Jesus?” Despertai!, 8 de abril de 2000. JW.ORG. Consultada para documentar a interpretação da organização acerca de proskynéō e de Hebreus 1:6.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Tradução do Novo Mundo — Bíblia de Estudo, Hebreus 1. JW.ORG. Consultada para comparação das traduções “prestem homenagem”, em Hebreus 1:6, e “Deus é o seu trono”, em Hebreus 1:8.

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