quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A VOLTA TRIUNFANTE DE JESUS CRISTO

 

A VOLTA TRIUNFANTE DE JESUS CRISTO

A esperança cristã e o fim definitivo do pecado
Cleriston Bezerra

Introdução

Poucos temas das Escrituras são tão importantes para a esperança cristã quanto a volta de Jesus Cristo. Desde Sua ascensão, os seguidores de Cristo aguardam o cumprimento da promessa de que Aquele que subiu aos céus retornará em poder e grande glória.

Entretanto, ao longo do tempo surgiram diferentes interpretações sobre como acontecerá esse grande dia. Uma das mais difundidas ensina que Cristo virá secretamente para retirar os salvos da Terra e que aqueles que permanecerem terão posteriormente outra oportunidade de salvação durante os acontecimentos finais.

Mas será isso realmente o que as Escrituras ensinam?

Quando examinamos conjuntamente as palavras de Jesus, os escritos apostólicos e as profecias do Apocalipse, encontramos um cenário muito diferente.

A volta de Cristo será visível.
Será audível.
Será gloriosa.

Será acompanhada pela ressurreição dos mortos em Cristo, pela transformação dos salvos vivos e pela reunião dos redimidos com o Senhor. Os céus serão abalados. A Terra será sacudida. A trombeta de Deus ressoará. E Jesus Cristo aparecerá nas nuvens do céu com poder e grande glória.

Dois grupos.
Dois choros.
Um único grande dia.

Este estudo acompanhará a sequência das Escrituras desde a manifestação gloriosa de Cristo até os mil anos, o juízo final, a segunda morte e, finalmente, os novos céus e a nova terra.

1. A promessa: Jesus voltará

Pouco antes de Sua crucificação, Jesus consolou os discípulos com uma promessa extraordinária. Sua partida não seria definitiva.

“Vou preparar-lhes lugar. E se Eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para Mim, para que vocês estejam onde Eu estiver.”

João 14:2–3 — NVI

Ele vai.
Ele prepara lugar.
Ele volta para receber os Seus.

A esperança cristã está, portanto, centrada no retorno de uma Pessoa: Jesus Cristo.

“Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado aos céus, voltará da mesma forma como O viram subir.”

Atos 1:11 — NVI

Aquele que subiu voltará. E o Novo Testamento não apresenta essa volta como um acontecimento oculto do qual a humanidade somente perceberá as consequências.

“Eis que Ele vem com as nuvens, e todo olho O verá.”

Apocalipse 1:7 — NVI

Jesus não voltará secretamente. Ele será visto.

2. O arrebatamento é bíblico — o arrebatamento secreto não

Um dos textos fundamentais sobre o arrebatamento encontra-se em 1 Tessalonicenses 4.

“Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”

1 Tessalonicenses 4:16 — NVI

“Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.”

1 Tessalonicenses 4:17 — NVI

Cristo desce dos céus;
há uma ordem;
ouve-se a voz do arcanjo;
ressoa a trombeta de Deus;
os mortos em Cristo ressuscitam;
os salvos vivos são reunidos com eles;
todos encontram o Senhor nos ares.

Paulo descreve um único grande acontecimento. O texto realmente ensina um arrebatamento. A palavra traduzida como “arrebatados” deriva do verbo grego ἁρπάζω (harpázō), que possui o sentido de tomar, arrebatar ou levar.

Portanto, a questão não é se existe arrebatamento. Biblicamente, existe. A verdadeira questão é se esse arrebatamento acontece secretamente e constitui um evento separado da manifestação gloriosa de Cristo.

O arrebatamento faz parte da própria volta de Jesus.

Um único acontecimento, não duas etapas de salvação

1 Tessalonicenses 4:16–17 não descreve uma primeira retirada secreta dos cristãos para, depois, aqueles que permaneceram na Terra receberem uma segunda oportunidade de salvação.

Não são duas vindas de Cristo.
Não são dois arrebatamentos.
Não são duas oportunidades de salvação separadas por um período intermediário.
É a manifestação do Senhor reunindo consigo aqueles que Lhe pertencem.

3. Mateus 24 e 1 Tessalonicenses 4 descrevem a mesma volta

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.”

Mateus 24:30 — NVI

“E Ele enviará os Seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os Seus eleitos dos quatro ventos.”

Mateus 24:31 — NVI

As correspondências com 1 Tessalonicenses são claras: Cristo vem; Ele vem nas nuvens; há seres angelicais; há o som da trombeta; os eleitos são reunidos.

Há uma única e triunfante volta do Rei.

“Um será levado e o outro deixado”

“Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado. Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e a outra deixada.”

Mateus 24:40–41 — NVI

Essas palavras não devem ser isoladas do discurso no qual aparecem. O centro da passagem não é a descrição de cristãos desaparecendo secretamente. É a separação definitiva que a chegada do Filho do Homem produzirá e a necessidade de estar preparado antes que esse dia chegue.

“Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor.”

Mateus 24:42 — NVI

4. A última trombeta

“Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta.”

1 Coríntios 15:51–52 — NVI

Novamente encontramos trombeta, ressurreição e transformação. Paulo não separa esses acontecimentos por anos. Mateus 24, 1 Tessalonicenses 4 e 1 Coríntios 15 são descrições complementares da mesma volta triunfante de Jesus Cristo.

5. A volta de Cristo será visível, audível e gloriosa

Será visível

“Assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.”

Mateus 24:27 — NVI

“Eis que Ele vem com as nuvens, e todo olho O verá.”

Apocalipse 1:7 — NVI

Será audível

Paulo descreve uma ordem, a voz do arcanjo, a trombeta de Deus e a última trombeta. A reunião dos santos não será um desaparecimento silencioso.

Será gloriosa

“Verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.”

Mateus 24:30 — NVI

6. Céus e Terra serão abalados na manifestação de Cristo

A volta de Jesus não é apresentada nas Escrituras como um acontecimento silencioso ou imperceptível. A linguagem profética descreve um cenário de proporções cósmicas.

“Os poderes celestes serão abalados. Então se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e grande glória.”

Lucas 21:26–27 — NVI

Um grande terremoto

“Houve relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto.”

Apocalipse 16:18 — NVI

A criação será abalada diante da manifestação do Rei.
O céu anunciará Sua chegada.
A Terra sentirá Sua manifestação.
A trombeta de Deus será ouvida.

7. Dois grupos, dois choros, um único grande dia

Para os salvos: o dia da redenção

“Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e ergam a cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês.”

Lucas 21:28 — NVI

“Esse é o nosso Deus; nós confiamos nEle, e Ele nos salvou.”

Isaías 25:9 — NVI

Para os que rejeitaram Cristo: o dia da lamentação

Uns erguem a cabeça. Outros procuram esconder-se. Uns reconhecem o Salvador que aguardavam. Outros procuram as rochas para se esconder da face dAquele que está assentado no trono e da glória do Cordeiro.

Dois grupos.
Dois choros.
Uma única volta de Cristo.

8. O destino dos dois grupos na volta de Cristo

Na volta do Senhor, os mortos em Cristo ressuscitarão e os salvos que estiverem vivos serão transformados.

“Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, de imortalidade.”

1 Coríntios 15:53 — NVI

Uma alusão à experiência de Moisés

“Você não poderá ver a Minha face, porque ninguém poderá ver-Me e continuar vivo.”

Êxodo 33:20 — NVI

Êxodo 33 não é uma profecia sobre a segunda vinda. A passagem serve como uma poderosa alusão à majestade da glória divina diante da fragilidade da condição humana. A doutrina da transformação dos salvos é estabelecida diretamente por Paulo em 1 Coríntios 15.

Os demais mortos

“Os restantes dos mortos não voltaram a viver até se completarem os mil anos.”

Apocalipse 20:5 — NVI

Assim, não encontramos nas Escrituras um terceiro grupo permanecendo normalmente sobre a Terra depois da volta de Cristo para receber posteriormente uma nova oportunidade de salvação.

“Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!”

2 Coríntios 6:2 — NVI

9. Os mil anos com Cristo

“Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele durante mil anos.”

Apocalipse 20:6 — NVI

Os santos recebem autoridade para julgar

“Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar.”

Apocalipse 20:4 — NVI

“Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo?”

1 Coríntios 6:2 — NVI

Nesse contexto, “mundo” refere-se à humanidade submetida ao juízo. Paulo acrescenta que os santos julgarão também os anjos; à luz de 2 Pedro 2:4 e Judas 6, a referência aponta para os seres angelicais rebeldes reservados para julgamento.

10. O fim dos mil anos e o juízo final

“Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.”

Apocalipse 20:7 — NVI

Ao término desse período, os restantes dos mortos voltam à vida e Satanás conduz a última rebelião.

“Mas um fogo desceu do céu e as devorou.”

Apocalipse 20:9 — NVI

O lago de fogo: a segunda morte

“Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte.”

Apocalipse 20:14 — NVI

A sentença é definitiva.

11. “Para todo o sempre”: o juízo final significa tormento consciente sem fim?

Apocalipse 20:10 é frequentemente utilizado como fundamento para a interpretação de um tormento consciente sem fim. Entretanto, a linguagem precisa ser examinada juntamente com outras passagens bíblicas de juízo.

O fogo eterno de Sodoma e Gomorra

Judas 7 chama o juízo de Sodoma e Gomorra de “fogo eterno”, enquanto 2 Pedro 2:6 afirma que as cidades foram reduzidas a cinzas. O resultado do juízo é definitivo e irreversível.

“Sua fumaça subirá para sempre”

Isaías 34:10 descreve o juízo sobre Edom dizendo que sua fumaça subiria “para sempre”. Edom não permanece queimando literalmente até hoje. Apocalipse utiliza linguagem profética semelhante.

Jesus falou em destruição

“Tenham medo dAquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.”

Mateus 10:28 — NVI

A palavra traduzida como “inferno” é γέεννα (géenna), Geena, e Jesus utiliza o verbo ἀπόλλυμι (apóllymi), “destruir”.

O fim do grande conflito

Para que a morte deixe definitivamente de existir, a morte precisa ser destruída. Da mesma maneira, a restauração final apresentada pelas Escrituras aponta para o encerramento definitivo da rebelião.

Satanás não terá a última palavra.
O pecado não terá a última palavra.
A morte não terá a última palavra.
Mas Cristo terá a última palavra.

12. “Inferno” na Bíblia: palavras diferentes não devem ser confundidas

Nas línguas originais das Escrituras encontramos diferentes palavras relacionadas à morte, ao domínio dos mortos e ao juízo divino.

1. שְׁאוֹל — Sheol

Sheol designa o domínio ou morada dos mortos no Antigo Testamento.

2. ᾅδης — Hádēs

Hades está relacionado ao domínio dos mortos no Novo Testamento e frequentemente corresponde ao Sheol.

3. γέεννα — Géenna

Geena está relacionada ao vale de Hinom e é utilizada por Jesus como imagem do juízo divino.

4. θάνατος — Thánatos

Thánatos significa morte.

5. Τάρταρος — Tártaros

Em 2 Pedro 2:4 aparece o verbo tartaroō, relacionado ao confinamento dos anjos que pecaram e aguardam o juízo.

Sheol não é Hades em todos os aspectos.
Hades não é Geena.
Geena não é Tártaro.
Thánatos significa morte.

13. Novos céus e nova terra: o fim definitivo do pecado

“Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado.”

Apocalipse 21:1 — NVI

“Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus.”

Apocalipse 21:2 — NVI

“Não haverá mais morte”

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.”

Apocalipse 21:4 — NVI

“Estou fazendo novas todas as coisas!”

Apocalipse 21:5 — NVI

O último capítulo da história não pertence a Satanás.
Não pertence ao pecado.
Não pertence à morte.
Mas Cristo terá a última palavra.

Conclusão — Eis que Ele vem

A volta de Jesus Cristo não é apenas uma doutrina a ser estudada. É uma promessa a ser aguardada. É a esperança daqueles que pertencem a Cristo.

O céu será abalado. A trombeta de Deus ressoará. Os mortos em Cristo ressuscitarão. Os salvos vivos serão transformados. E o Filho do Homem aparecerá nas nuvens do céu com poder e grande glória.

Dois grupos.
Dois choros.
Uma única e triunfante volta de Cristo.

A grande pergunta deste estudo não é quando exatamente Jesus voltará. A pergunta que realmente precisa ser respondida é:

Se Cristo voltasse hoje, estaríamos preparados para encontrá-Lo?

A esperança cristã não está fundamentada na capacidade humana de prever datas. Está fundamentada na promessa dAquele que disse:

“Voltarei.”

A morte não terá a última palavra.
O pecado não terá a última palavra.
Satanás não terá a última palavra.
Mas Cristo terá a última palavra.

“Sim, venho em breve!”

Apocalipse 22:20 — NVI

“Amém. Vem, Senhor Jesus!”

Referências Bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional (NVI).

BEALE, G. K. The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text. New International Greek Testament Commentary. Grand Rapids: Eerdmans.

BROWN, Francis; DRIVER, S. R.; BRIGGS, Charles A. The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon. Peabody: Hendrickson Publishers, 1996.

DANKER, Frederick W. (ed.). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. 3. ed. Chicago: University of Chicago Press, 2000.

MOUNCE, Robert H. The Book of Revelation. Revised Edition. New International Commentary on the New Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.